As melhores músicas de cada álbum de Björk

Em comemoração ao aniversário da artista.

Em comemoração ao aniversário de 58 anos de Björk e ao lançamento de seu novo single, “Oral”, com participação de Rosalía, aqui está uma seleção de 10 músicas para passear pela discografia da cantora.

Os critérios são simples: uma música para cada disco.




Debut (1993)
“Venus As A Boy”

Não apenas emblemática, mas também uma música importante para pensar todo percurso artístico de Björk. Os elementos de sua carreira já estão todos aqui: influências, estilo instrumental e vocal. “Venus As A Boy” também se destaca pela sensibilidade. Por ser uma música tão doce, dá vontade de escutá-la inúmeras vezes.




Post (1995)
“Hyper-Ballad”

Talvez a escolha mais óbvia, mas não poderia ser outra. A incorporação de uma música eletrônica mais pop no álbum Post abre margem para destaques geniais que ficam entre o experimentalismo e o dance-pop. Esse é com certeza o caso de “Hyper-Ballad”, o tipo de música que dá pra ouvir tanto em momentos felizes, quanto tristes e representa, muito bem, essa fase da carreira de Björk.




Homogenic (1997)
“Unravel”

Escolher uma única música do Homogenic? Não é apenas uma tarefa árdua, mas insensível. Poderia ter sido escolhida qualquer uma, mas “Unravel” é uma escolha pessoal, daquelas que crescem contigo conforme o tempo foi passando. A maturidade da letra, o seu minimalismo instrumental e, ainda sim, o desespero na voz da cantora, são partes que compõe uma música absolutamente perfeita, irretocável.




Vespertine (2001)
“Pagan Poetry”

A música mais bonita da Björk, ou talvez de todos os tempos. Possui tudo que caracteriza uma música perfeita e, obviamente, vai muito mais longe. Nas experimentações vocais, instrumentais e na própria estrutura. É para aplaudir de pé quando acaba.




Medúlla (2004)
“Mouths Cradle”

Em Medúlla, Björk experimentou a realização de um álbum sem instrumentos musicais, a não ser o uso e a modulação de vozes. “Mouths Cradle” se torna um destaque nesse cenário não apenas por ser uma excelente música, mas por ser exatamente tudo o que essa ideia incorpora. É a faixa que mais possui elementos vocais diferentes e destacáveis, além de serem extremamente perceptíveis e diferentes. Um épico que não deve nada às óperas vocais de Monteverdi.




Volta (2007) 
“Wanderlust”

Certamente o mais divisivo e polêmico álbum da cantora, Volta, ainda sim possui “Wanderlust”, reconhecidamente como uma das suas canções mais interessantes. Do ponto de vista pop, consegue agradar a quase todos com suas melodias cativantes com instrumentos de sopro, mas principalmente pelos ritmos da bateria, é impossível ficar parado quando a ouvir.




Biophilia (2011)
“Crystalline”

Há quem não goste nem um pouco de Biophilia — esse é um dos mais esquisitos e interessantes álbuns da discografia de Björk. Em “Crystalline” é possível ver todos os elementos que tornam isso verdade. A irregularidade das linhas vocais, das percussões, um grande excesso de recursos instrumentais, e, ao mesmo tempo, um vazio tão grande entre a voz da artista e esse instrumental. Isso sem falar de todo o segmento final — com influências no dubstep completamente inacreditáveis.




Vulnicura (2015)
“Black Lake”

Em Vulnicura temos o retorno ao completo minimalismo e intimismo de Björk, isso por ser um álbum composto em um momento de tristeza. O disco inteiro se destaca pelos instrumentos de cordas e as performances vocais intimistas da cantora, além de suas letras que são de partir o coração de qualquer um. “Black Lake” é um destaque não por apenas conter tudo isso, mas porque é um épico. Uma canção de 10 minutos que não cansa por um segundo sequer, além de um sentimento muito intenso de angústia e vazio que ela causa. Se a cantora Nico tivesse se aventurado na música eletrônica, “Desertshore” seria exatamente como “Black Lake” é.




Utopia (2017)
“The Gate”

Sei que não são muitos que irão concordar, mas “Utopia” é um dos melhores discos que Björk já lançou. Isso porque cada experimento com field recordings é incrível, e já era a cara dela antes mesmo de ela fazê-lo. A participação da produtora Arca no projeto também é magnífica, a estranheza já característica de Björk se une muito bem à estranheza do estilo de produção de Arca. “The Gate” é o perfeito exemplo disso, os sintetizadores obscuros se unem às flautas, as letras belíssimas se unem a um sentimento de perda e desespero. Definitivamente não é uma música que se preocupa em criar uma linearidade, ou que pretende te fazer dar replay e aproveitar, como algumas anteriores da lista, ou mesmo outras do disco — como “Blissing Me”. Mas é o tipo de música que é simplesmente maravilhoso que sequer existe.




Fossora (2022)
“Ancestress”

Dentro do universo de Fossora, não poderia ser outra música. A temática da letra é linda e já destaca tudo que esse disco tenta passar. Além disso, a beleza instrumental é igualmente destacável, pouco foi falado do quanto esse disco experimenta dentro das diferentes ondas sonoras, o agudo e os graves estão em constante dissonância, o trabalho de produção é primoroso por tornar isso tão palatável a ponto do grande público nem se incomodar, ou sequer perceber algo assim. Definitivamente a melhor música para relembrar o último álbum da cantora até o presente momento.



Ouça a playlist:

Tiago Araujo

Graduando em História. Gosto de música, cinema, filosofia e tudo que está no meio. Sou editor da Aquele Tuim e faço parte das curadorias Experimental, Eletrônica, Funk e Jazz.

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