Crítica | Lorotas e Tragédias



★★★½

Uma odisseia emancipatória que finaliza um capítulo tragicômico que narra a separação e superação de um romance que ruiu feito plumas pesadas.

A despedida de uma paixão é sempre muito dolorosa, até porque não se esquece assim, da noite para o dia, uma vastidão de sentimentos que foram adquiridos. Um processo demorado para alguns e para outros não.

E é desta maneira que podemos compreender Lorotas e Tragédias: como a jornada da heroína em finalizar uma história tragicômica que narra a separação de um romance que ruiu feito de plumas pesadas, aprofundando-se na epiderme dos sentimentos do eu lírico que passo a passo a desnuda do sofrimento inato dessa ruptura.

Um lirismo que se concentra no metamorfismo poético que traz à tona essa gama de emoções em uma paisagem sonora melancólica repleta de pianos e violinos que acentuam aquilo que está sendo expurgado pelo intérprete – um funeral para seu martírio.

Sombrio da Silva canta logo nos primeiros momentos do trabalho, na faixa “Depois Restou Só”, os versos “Me despi de ti / Me desfiz de mim” que ao encapsular a temática central do que se trata esse trabalho, evidenciando a beleza de seguir em frente, relembrando os momentos vividos mesmo na relutância de aceitar que acabou. Na existência da necessidade de permanência das memórias, porém, desde que elas não nos aprisionem. Há que deixar partir a dor sentida e sofrida.

Selo: Cena Cerrado Brasil
Formato: EP
Gênero: MPB / Experimental, Vanguarda Paulista, Pós-MPB
Joe Luna

Futuro graduando de Economia Ecológica (UFC), 22 anos. Educador ambiental, e redator no Aquele Tuim, onde faço parte das curadorias de MPB, Pós-MPB e Música Brasileira e Música Latina/Hispanófona. Além disso, trago por muitas vezes em minha escrita uma fusão com meu lado ambientalista.

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