Crítica | Antes Que O Mundo Acabe


★★

É doloroso saber que mesmo depois de anos TIAGO IORC continua tentando ser a terceira via da música brasileira. É tudo o que menos precisamos ouvir antes que o mundo acabe…

Doi na alma. TIAGO IORC é, talvez, o nome mais comum do que muitos consideram ser a “nova MPB”, o que não faz nenhum sentido, já que a pós-MPB aparece neste espaço com a mesma intenção, mas consegue incluir artistas mais interessantes. Antes Que O Mundo Acabe, novo disco dele, parte desse limbo pop com referências MPBistas a lá Caetano.

É uma mistura de sonolência e passividade temática que não vai a lugar nenhum, repete os mesmos temas e exerce o mesmo peso que o sertanejo universitário: é música brasileira de fachada. TIAGO IORC tem a ambição de causar um burburinho que preenche o próprio lifestyle cuja música tem mirado ser de uns tempos pra cá. Ele é mestre nisso.

E por isso Antes Que O Mundo Acabe foi pensado para ser a nova trilha sonora do Instagram daquelas pessoas que acordam de manhã postando uma foto com a legenda #YOLO (you only live once, na tradução: só se vive uma vez). Este tipo de presença, que também apela à nostalgia (“Crianças Crescidas”), apenas realça uma fórmula já muito cansada (“Me Quero Só Pra Ti”), e que nunca consegue atingir uma objetividade que não seja o sentimento terreno de alternativa, a terceira via da música nacional para quem se vê distante do funk ou sente desprezo pelo sertanejo.

Não há necessidade de esforço, ou mesmo intenção de mudar e fazer algo mais diverso ou menos concupiscente na mente das pessoas “good vibes”. É a manutenção do mesmo, a propagação do antiquado e a mera intenção de obter dele certo lucro. É tudo o que menos precisamos ouvir antes que o mundo acabe…

Selo: Som Livre
Formato: LP
Gênero: Pop / Música Brasileira
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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