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E dentro dessa lista, estava Phl Notunrboy, excêntrico ‘trapper’ que não era estranho no mundo do underground e que, por surpresa, foi um dos destaques do álbum do artista nordestino. Ao citar o seu nome, um certo nome no grupo comentou sobre o quão ele foi pioneiro ao trazer a estética mais plástica e raivosa (pode se assim dizer) que ia contra o mainstream, o que o fazia um dos nomes mais importantes do trap moderno. E, assim, surgiu a pergunta: ‘ser diferente é ser de qualidade?’
SWAGBOY 2 vem responder essa pergunta. E, assim como o meu pensamento inicial, a resposta é um gritante não. Se em Hora do Rock, álbum que condensava trap e rock de uma forma harmônica com ótimos momentos e um dos melhores da antiga década do trap nacional, o segundo corpo de trabalho da série é o resultado de quando o experimento se extrapola do controlável. O álbum realmente é nichado, até dentro do próprio gênero. Sintetizadores disruptivos, adlibs que engolem faixas inteiras e repetições genéricas já são elementos vistos no trap ocidental, mas aqui, são levados ao absurdo não agradável.
E antes que transformem esse incômodo em qualidade, denoto a aleatoriedade não só de elementos, mas de frases e rimas que não causam um desconforto em si, mas sim de algo que causa indiferença e realmente não impressiona. O caos aqui não é direcionável ou que precisa de interpretação mais repetitiva, é fácil de entender e compreender, o que transforma a experiência em algo maçante e bastante repetitivo, sendo um álbum de 19 faixas. Mas ainda há momentos de lucidez musical.
Os samples utilizados aqui são bastante agradáveis, mesmo que durem por poucos segundos. Hot de YoungThug visto em "BABYTHUG" traz um frescor para a faixa, a primeira onde Phl deixa a sua voz fazer o trabalho de conduzir o ouvinte durante a sua duração. A que se segue, "SWAGSOLDIER", com Emitê, é uma volta terrena ao que o trap paulista tem se popularizado, colocando Phl no BPM característico de Emitê, saindo um pouco do caos espalhafatoso e gratuito que o resto do álbum vinha se direcionando.
Duas faixas que merecem destaque são "PENSAMENTOS" e "TUDO PASSARÁ", que evocam mais a estética éterea do trap trocando os reverbs estourados por sintetizadores mais harmônicos e loops bem mais limpos. O álbum respira por pouco tempo até voltar ao caos desnecessário e desinteressante e tempo, e o gosto amargo do que poderia ser vem a boca, com Phl voltando novamente a sua experimentação e tentativa de expandir o trap para algo bem mais disruptivo.
Mas o que fica é essa disrupção totalmente gratuita. Sonoramente, o álbum não reinventa nem inventa, pelo contrário, soa bastante como B-Sides de Whole Lotta Red, versões desinteressantes de um Carti progressivo e incisivo em suas tentativas, e aqui, até vocalmente Phl simula trejeitos e manejos do americano, seja por adlibs mais agressivos e uma interpolação do mesmo por meio do sample de @MEH.
O principal erro de SWAGBOY 2 é confundir ruído com ruptura. A estética não sustenta o quão perdido esse disco soa, e a agressividade não justifica nem reposiciona a substância, apenas a deixa nula. Se a proposta era mostrar todo o swag e diferença que o artista traz, o resultado ficou apenas um eco de experimentos que já aconteceram e foram bem melhores executados. O próprio disco que soa como o ‘pai’ desse disco, soa muito mais consistente em suas ideias, mas que faltou a coragem de explorar ainda mais.
Com Phl coragem não faltou, mas a execução penou de uma forma que fica até agressiva.
Ser diferente nunca foi sinônimo de importância e nesse caso, a diferença soa vazia até demais. O vazio incômoda, e transforma o potencial de uma das carreiras mais promissoras do trap nacional a um grande queda de qualidade.
Selo: TANDAWORLD
Formato: LP
Gênero: Hip Hop / Trap.