
★
É bem preguiçoso pra falar a verdade. Há maneirismos bem típicos como a chave que vira na cabeça do autor quando, num súbito estado de descrença, ele viaja e descobre que existe um mundo inteiro além da sua vida, talvez daí surja o ponto mais interessante de tratar a morte: pelo seu eu antes dessa viagem. O que, nitidamente, não acontece aqui. O luto é disperso a ponto de não se saber onde ele começa e onde termina – na real, dá sim pra saber, pois isso acontece o tempo todo que parece que estamos girando em círculos.
Acredito que seja muito fácil para o Gorillaz apresentar esses tipos de presepadas, afinal os fãs amam, a crítica americana adora a forma como eles se comunicam e se dão importância numa espécie de pós-excelência artística de natureza, que sempre irão engolir coisas como essa. Tem que ser muito americano mesmo pra se impressionar com o vai e vem desmedido do sitar, inclusive e instantes em que o instrumento nitidamente soa deslocado.
Pra piorar, dá uma baita preguiça quando vemos que The Mountain ultrapassa 1 hora de duração. É torturante, por isso busquei não ficar pensando em como aquilo que eu estava ouvindo soava tão brega quanto a discografia do Florence + the Machine e o foco que esses projetos do tipo dão para temas que ultrapassam a referência e se tornam uma espécie de linguagem extremamente comunicável, fácil e presa ao mais do mesmo. Pra não ser injusto, eu gostei de como, apesar do uso dos elementos, ainda assim houve uma vontade, um desejo, de harmonizar essa viagem – a montanha – com a própria lore do Gorillaz, já que é algo que sabem fazer como ninguém.
Selo: Kong
Formato: LP
Gênero: Pop / Rock