Crítica | in.corpo.ração


★★★★☆
4/5

Manifesto de Jup do Bairro, in.corpo.ração, marca o seu ritmo através de passagens sutis entre instrumentos musicais de concerto e experimentação eletrônica, que se misturam avidamente com as batidas agressivas do funk como um caminho único. Essa unidade ocorre porque a colagem de sons exerce seu peso em oposição aos sinais de delineamento, fazendo da atenuação um meio pelo qual os fragmentos musicais atingem seu potencial máximo.

Produzido por Cyberkills e BADSISTA, e composto por cinco faixas, abordamos as diferentes frentes de Jup no que parece ser seu ultimato noturno — uma união condescendente de intelectualidade e diversão. Neste contexto, destaca-se a excelente parceria “não vou mais chorar nem me lamentar”, com Edgar e Mateus Fazeno Rock. É um hino catártico, cheio de confiança e perfeito para ser tocado no volume culminante dos sons automotivos.

Impossível não citar, talvez como ponto alto da obra, a incrível homenagem que Jup faz a Elza Soares em sua bárbara releitura de “mulher do fim do mundo”, em que todas as características já citadas do funk aqui, como gênero musical eletrônico, são dobrados para ter um uso assertivo de suas batidas na criação de uma atmosfera sonora taciturna. Essa reimaginação ganha ainda mais volume à medida que Jup, usando da palavra falada, conversa com a flauta de fundo como se esta fosse, acima de tudo, parte de um ato expurgante.

Selo: Independente
Formato: EP
Gênero: Experimental / Eletrônica, Funk
Joe Luna

Futuro graduando de Economia Ecológica (UFC), 22 anos. Educador ambiental, e redator no Aquele Tuim, onde faço parte das curadorias de MPB, Pós-MPB e Música Brasileira e Música Latina/Hispanófona. Além disso, trago por muitas vezes em minha escrita uma fusão com meu lado ambientalista.

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