Crítica | Caldeirão


★★★☆☆
3/5

Caldeirão veio no momento certo de internacionalização do funk brasileiro. Mantendo sua essência e aproveitando-se de elementos crus que são próprios do gênero, MC Dricka mostra que o funk não precisa ceder à música pop para ser reconhecido mundo afora.

Apesar da estética do álbum apontar para o funk bruxaria, não é esse o fio condutor do projeto. A cantora passeia de forma confortável entre vertentes do gênero e mostra versatilidade ao cantar por cima dos diferentes beats dos produtores presentes no álbum.

Após anos de admiração mútua, Dricka e a venezuelana Arca finalmente colaboraram de forma oficial na faixa “Golpeame”, um funk ritmado bilíngue que combina muito bem a identidade das duas artistas. Em “Sapatão”, a funkeira canta pela primeira vez sobre sua sexualidade em um beat contagiante que deve ser bem aproveitado por sáficas nos bailes.

“Vem No 4 É Par” inaugura a bruxaria no álbum com vocais ressoantes e produção estrondosa, enquanto “Tá Duvidando” acalma as coisas com empréstimos do funk de BH. Entre os graves agressivos pensados para os paredões de som nos bailes, uma impostora: “Na Party”. A colaboração com Tz da Coronel e Gabb MC é um trap destoante do resto do projeto, mas ainda assim competente no que se propõe e com uma produção encorpada.

Caldeirão concentra alguns dos melhores elementos do funk atual e demonstra o quanto a cena evoluiu nos últimos anos. Ainda que repita estruturas já bem familiares e não invista em momentos da produção com grande potencial, MC Dricka soube utilizar a diversidade do gênero a seu favor. Entre tantos lançamentos de funks feitos para viajar pelo mundo, o álbum se destaca por manter-se em casa.

Selo: Som Livre
Formato: LP
Gênero: Funk / Funk Mandelão, Trap
Tobia Ferreira

Emo de banho tomado e quase jornalista cultural. Graduando em Jornalismo pela USP e repórter do Aquele Tuim, em que faz parte das curadorias de Experimental, Eletrônica e Funk e R&B e Soul.

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