Crítica | TRIO DA BRUXARIA


★★★

Todas as faixas de TRIO DA BRUXARIA, de DJ Redy, DJ MAGRONES e DJ LK Da VB, começam com “BEAT DERRUBA”, e claro que essa escolha não passa de puramente conceitual: nomear beats é a maior divindade do funk, ainda mais se o beat que você nomeou é usado por outros DJs e MCs. A música não surge do zero – vocês já devem ter me visto dizer essa mesma frase inúmeras vezes – e o funk é o gênero mais consciente disso, e também a prova minuciosa de que isso se afirma na prática. Aqui, os três DJs trabalham não apenas com imposições de nomenclatura a beats que às vezes conhecemos, mas que ainda não foram usados da mesma forma que eles; há também a busca por samples e assinaturas, convergidas principalmente de músicas famosas do movimento, usadas como parte de uma exposição limitada de como o beat bruxaria, agora um guarda-chuva, pode transformar o funk em seu funk.

Não há dúvidas de que isso funciona. O bruxaria é um dos estágios recentes mais avançados da experimentação do funk; qualquer som convertido à sua estética torna-se automaticamente efusivo em suas construções rítmicas e melódicas. É importante destacar essa mudança que permeia essas duas marcas de qualquer música, pois o ato de distorcer (“BEAT DERRUBA COLÉGIO”), aplicar tuins ensurdecedores (“BEAT DERRUBA FERROVIA”), o canto árabe (“BEAT DERRUBA EGITO”) ou mesmo um instrumental automotivo seco (“BEAT FOI SEM QUERER QUERENDO”), também são maneiras distintas de criar algo novo, não um elemento novo, uma nova sonoridade ou algo do tipo, mas sim uma forma diferente de traçar todas essas marcas das demais. É preciso, portanto, ter clareza sobre como o TRIO DA BRUXARIA acaba sendo, de certa forma, muito arredondado em sua recomposição de signos tanto do beat bruxaria quanto do que ele absorve aqui. É a expansão, contida (irônico, eu sei), das próprias ideias de produção e composição no funk.

Selo: Independente
Formato: LP
Gênero: Funk / Beat Bruxaria

Matheus José

Graduando em Letras, 25 anos. É editor do Aquele Tuim, em que integra as curadorias de Funk, Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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