
★★
Em sua crítica para o The Guardian sobre esse disco, Alexis Petridis diz que Olivia Dean “abandona os clichês do neo-soul para brilhar”, o que me causou certa estranheza, já que a própria Olivia parece ciente de aderir a esses clichês, não como sendo apenas pontos negativos, mas como elementos essenciais de sua abordagem, que remete aos clássicos do neo-soul. E mais: para mim, ela até beira a superfície das marcas do gênero. Claro que fazer um disco hoje parte de um processo que vai muito além do estudo de estilos e referências. Se o fizesse sem absolutamente nada do que ouviu ou pegou de influência, é bem capaz de The Art of Loving ser um disco vazio, oco. Felizmente, apesar de superficial, ele está longe de ser isso, sobretudo porque há emoções aqui que somente Olivia parece conduzir nos últimos exemplares que tivemos de neo-soul, e sua voz tem forte influência nessa diferenciação.
O disco como um todo, porém, soa até familiar, no melhor e no pior sentido. Há instantes como “Loud”, cujos instrumentais parecem flutuar como uma pena de tão leves, ainda que fortemente atrelados a tons orquestrais. Essa é a “música clássica” que Carol Prado citou em sua análise de Lux, com referência a Sade e Liniker, que trabalham por caminhos parecidos a este. E o afeiçoamento de tudo o que Olivia cria é, também, o que torna sua música pouco interessante. Há um quê de Adele e até mesmo de Sam Smith aqui. Pode parecer absurdo, mas a própria escola de Olivia e seus primeiros passos como backing vocal ditam isso, e faixas como “Baby Steps” tornam ainda mais sólida a menção. É como se The Art of Loving unisse uma pilha do que vem do UK e se transformasse em algo que Olivia apresenta como novidade. Para muitas pessoas, pode até ser. E essa intenção, afinal, é o que vale.
Selo: Capitol, Polydor
Formato: LP
Gênero: R&B / Neo-Soul, Pop