Crítica | The Age of Pleasure


★★★★

Em The Age of Pleasure, a rebeldia de Janelle Monáe ganha novos ares quando ela mira e acerta o hedonismo.

The ArchAndroid é, na minha opinião, o álbum mais importante da década de 2010. Não preciso contar tudo o que ele mudou, quem impactou e o que representa — isso todo mundo já sabe. Mas acima de tudo, é um álbum que definiu a base artística de Monáe.

Essa base, por sua vez, estava se desfazendo aos poucos. Dirty Computer causou histeria quando apareceu fora da série Metropolis. Mas encantou ao manter viva a rebelião de Monáe. Agora, de uma forma um pouco diferente, ela ainda continua rebelde.

The Age of Pleasure é uma rebeldia inata. Tocar abertamente no tema do sexo e da sexualidade sem se prender a costumes, nem temer o linchamento da sociedade, é, por si só, um ato de imensa rebeldia. Janelle é uma figura bem conhecida hoje. Este álbum é um risco.

Mas ela consegue se safar. As canções, indistintamente, ainda mantêm a abordagem sonora oriunda do afrofuturismo do qual Janelle foi pioneira. A única questão que muda é a narrativa — agora focada em si mesma e não em seus personagens. E honestamente, funcionou muito bem.

Selo: Bad Boy, Wondaland
Formato: LP
Gênero: Pop / Afrobeats, R&B Contemporâneo
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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