Crítica | Version Up



★★★½

<Version Up> é a antítese do k-pop — um disco que nasce do que há de melhor e pior nessa indústria.

Muitos aqui provavelmente estão familiarizados com a história do LOONA. Elas fizeram a melhor estreia da quarta geração, começaram com subunidades que reaproveitavam algumas das melhores abordagens do gênero e depois foram vítimas dos contratos abusivos de sua empresa.

Esse resumo, na verdade, recorre a uma situação que infelizmente é bastante comum no k-pop. Por causa disso, o grupo acabou e cada membro foi para um lado. Uma dessas subunidades que formaram sua estreia, por sua vez, conseguiu unir forças e trilhar novos caminhos. E é claro que essa subunidade seria ODD EYE CIRCLE. Não é estranho pensar, portanto, que <Version Up> soa como uma continuação do magistral Max & Match, ainda mais considerando que a produção e a ideia geral foram reconstruídas com as mesmas pessoas envolvidas naquele projeto.

É um sinal, claro, de que a vida no k-pop encontra resistência na intenção genuína de fazer arte. Uma das minhas maiores preocupações com esse meio é justamente a intenção que grupos e artistas, principalmente de grandes empresas, têm de lançar novamente seu material em períodos, às vezes, sufocantes. Há, em tudo isto, um conflito de interesses puramente ligado ao dever de lucro, e não há nada de errado nisso. ODD EYE CIRCLE também quer lucrar, e elas merecem. Mas seria estranho se essa intenção fosse desviada de tudo que elas representam no passado.

<Version Up> é tão rico quanto instantaneamente bom. Fiquei arrepiado ao ouvi-lo pensando na diferença de tempo entre a história do grupo e sua posição atual. E vê-las voltar a um dos melhores sentidos artísticos que já aconteceu em toda essa imensidão de grupos é fantástico.

Do jersey club em "Air Force One", produzido por G-high, produtor de "Butterfly" e "Uncover", ao espetáculo calculado de "Je Ne Sais Quoi", produzido por BADD, que fez "favOriTe" e " Rosy" , <Version Up> recorre aos sons mais instintivos que o ODD EYE CIRCLE provavelmente faria, e fez. É um disco que não tem medo de ultrapassar o padrão que elas depositaram no k-pop. Provavelmente uma das melhores e mais importantes reviravoltas que tive o prazer de presenciar.

Selo: MODHAUS
Formato: EP
Gênero: Música do Leste e Sudeste Asiático / K-Pop
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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