Crítica | SUPER



SUPER carece de alma para dar vida às composições saturadas de Jão que reciclam as mesmas temáticas de amores fracassados e lembranças da infância de sempre.

Nesta segunda-feira (14), o cantor compartilhou com seus fãs e com o mundo todo seu mais novo trabalho de estúdio, SUPER, álbum que sucede o disco PIRATA, de 2021. Através de uma carta aberta — algo que recorrentemente costuma fazer para apresentar seus novos projetos —, Jão diz que sua obra mais recente é o final de uma sequência de registros que abordam a mesma temática, que se iniciou em seu álbum de estréia, Lobos, de 2018, e perdura até esse novo material.

SUPER, por sua vez, navega por referências da música popular brasileira e possui uma certa variedade sonora boa, entretanto, carece de alma para dar vida às composições saturadas de Jão que reciclam as mesmas temáticas de amores fracassados e lembranças da infância de sempre— ele deixa claro no projeto que também está cansado de repetições.

Não há problema algum em tratar desses assuntos, porém, o cantor tenta de todas as maneiras desmembrar esses mesmos temas por meio de líricas fracas, que não sustentam os trabalhos até o fim, e nem transparecem um crescimento e amadurecimento em sua carreira ao longo de seus discos — tudo soa igual e amador, o que apenas parece ter evoluído bastante com passar dos anos, em contrapartida, é a direção de arte, mas nem o mais bem embalado produto consegue se salvar do fiasco recorrente.

O disco é sonoramente excêntrico: faixas pop radiofônicas ruins com instrumentais legais. No entanto, a falta de habilidade em composição de Jão condena todo esse projeto, que deve ser o final de algo que não tem desenvolvimento e muito menos demonstra haver uma evolução artística do próprio — é um desperdício de tempo ouvir esse disfarce da mesma ladainha.

As piores partes de SUPER são, infelizmente, as letras: amadoras, mal executadas e com refrões desastrosos que não tem amarre ou usos inteligentes, como fazem outros artistas nacionais tipo Pabllo Vittar, Los Hermanos, Marina Sena etc. A transição entre as faixas é outro problema que agrava a situação da obra, e o que destoa o todo; uma sequência de peças com características sonoras muito específicas, mas que não estão amarradas, encaixadas, ligadas entre si — um infeliz caso de desperdício de produção. E, se somando a tudo isso, Jão está sendo acusado de plagiar a música “Escapism”, da cantora britânica RAYE, na canção “São Paulo 2015”.

Jão não consegue derrubar a barreira que criou para si em seu trabalho, assim como não evolui com essa sequência de materiais que não se diferem entre si. É morno, datado, repetitivo e enfadonho de escutar. Se o ouvinte sentir um nível de desinteresse, então, bem, o intérprete também aparenta estar desinteressado do próprio disco. Um fim, sem significado, que não vai mudar ou acrescentar em absolutamente nada na carreira dele. Contudo, fica a esperança de que com esse final, ele se permita ultrapassar os próprios limites em projetos seguintes.

Selo: Universal Music LTDA
Formato: LP
Gênero: Pop / Pop rock
Joe Luna

Futuro graduando de Economia Ecológica (UFC), 22 anos. Educador ambiental, e redator no Aquele Tuim, onde faço parte das curadorias de MPB, Pós-MPB e Música Brasileira e Música Latina/Hispanófona. Além disso, trago por muitas vezes em minha escrita uma fusão com meu lado ambientalista.

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