Crítica | GUTS



★★★

GUTS nem tenta ser dinâmico: é um disco cuja variação é binária e apenas isso.

Se em SOUR a novidade dos clichês de Olivia não parecia exercer peso em sua ideia de recompor espaços juvenis num pop extremamente convidativo para temas que cercam o término, em GUTS, o problema é outro: a estrutura.

Musicalmente, GUTS tem poucas diferenças em relação ao seu antecessor e, portanto, é mais interessante na medida do possível. O som se repete pelas suas mesmíssimas características ultrapassadas de sempre: faixas repletas de uma faceta pop rock e baladas sentimentais.

Aqui, porém, a estrutura pouco faz para dinamizar essas duas abordagens, fazendo com que a tracklist alterne entre uma balada e uma não balada em sequência. Esse esforço de equilíbrio do ritmo da obra é visível, mas de nada adianta, pois o conjunto permanece no binarismo de canções ora explosivas, ora contidas demais.

E os destaques acabam sendo justamente os momentos explosivos, como "all-american bitch", "bad idea right?" e "ballad of a homeschooled girl". De resto, apenas "vampire" e "pretty isn’t pretty" soam decentes, a segunda inclusive é quem deveria encerrar o álbum e não "teenage dream", uma balada sonsa.

Selo: Geffen
Formato: LP
Gênero: Pop / Pop Rock
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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