Crítica | PiraruCool



★★★★

PiraruCool inova ao buscar atualizar o tradicional ritmo do Pará, um desempenho demasiado fugaz, que demonstra a originalidade de Gaby Amarantos.

Indicada ao Grammy Latino com TecnoShow, trabalho que resgatou seu catálogo tecnobrega de estreia e que a tornou popular no Pará, Gaby Amarantos continua sendo um dos nomes mais surpreendentes da música pop brasileira na atualidade. Seja por seu pioneirismo na difusão e defesa do ritmo paraense em âmbito nacional ou por sua desenvoltura em transitar por outros estilos e artes — ela é o tipo de artista que sabe aproveitar os territórios que habita para fundir com seus próprios atributos.

Em PiraruCool, seu novo EP de remixes, Gaby, em parceria com o trio de produtores MGZD, que assina a produção de todas as faixas, e com várias participações artísticas contribuindo com suas vozes, presenteia seu público com uma compilação de peças remixadas que visam não apenas reimaginar algumas faixas de seus dois discos de estúdio e maiores hits, porém, também, atualizar o próprio tecnobrega, que em sua estrutura de formação raiz já é atravessado por experimentações advindas das diferentes trocas entre a música pop internacional com o som regional do norte.

Ademais, o projeto é inovador em buscar atualizar o tradicional ritmo do Pará, um desempenho demasiado fugaz, que demonstra a originalidade de Gaby mesmo quando, em alguns momentos, esta parece apenas se aproveitar das tendências que estão percorrendo atualmente na cena da música nacional e global — não é um apontamento ruim a isso, como já havia dito, Amarantos sabe utilizar essas novas referências em seu trabalho. Faixas como "Príncipe Negro" e "Selfie" comprovam este ponto ao ganharem novas remixagens e, também, participações que complementam a estrutura musical delas, os versos irresistíveis de Hiran em "Princípe Negro" (pegada do preto) e da dupla Irmãs de Pau, em "Pau de Selfie", fazem dessas faixas espaços novos e muito interessantes de serem escutados.

Além disso, é bastante perigoso quando um artista tenta dar novas interpretações para seus trabalhos, pode sair algo muito bom ou ruim, mas neste caso, o trabalho de produção do MZGD é bem acertado, e os convidados que aqui estão somando contribuições vocálicas e líricas, por outro lado, sabem respeitar o território que estão visitando dando a devida diversão e contribuição que este projeto necessita.

É um ótimo trabalho de caráter afrofuturista, dançante e bastante viciante, inclusive. Adorei escutar as músicas "Rolha" e "Príncipe Negro", em novas e diferentes personalidades — PiraruCool é um excelente exercício das múltiplas identidades que o catalogo de Amarantos é capaz de atingir.

Selo: Deck
Formato: EP
Gênero: Pop / Tecnobrega, Música Brasileira
Joe Luna

Futuro graduando de Economia Ecológica (UFC), 22 anos. Educador ambiental, e redator no Aquele Tuim, onde faço parte das curadorias de MPB, Pós-MPB e Música Brasileira e Música Latina/Hispanófona. Além disso, trago por muitas vezes em minha escrita uma fusão com meu lado ambientalista.

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