Crítica | "Chill Kill"


★★★★★

O novo single do Red Velvet é a sua essência febril encapsulada. Intenso, leve e, acima de tudo, emocionante.

Antes do lançamento, os palpites que rondavam a faixa eram de que ela seria soturna. Alguns, mais iludidos, acreditavam que finalmente teríamos a “filha de Psycho” (que, sinto em desapontá-los, não vai nascer). Porém, mais uma vez, Red Velvet rompe com as expectativas — e ainda bem!

“Chill Kill” é a perfeita união contrastante entre red e velvet, que aborda os temas de crescimento pessoal e resiliência em tempos difíceis. Os versos são marcados pelo ressentimento e pela melancolia, com sintetizadores distorcidos pontuais e notas de baixo e piano, que parecem dedilhadas. Porém, o refrão subverte a atmosfera e revela o verdadeiro espírito da música: totalmente upbeat, temos uma união de efeitos sonoros oníricos, incluindo sinos e cordas, e arranjos melódicos contagiantes. Não é uma mudança facilmente digerível na primeira ouvida, mas é o ponto que torna a faixa especial.

No entanto, o pico da faixa é o minuto final. A ponte traceja mais uma virada, trazendo influências mais diretas ao synthpop dos anos 80 e articulando high notes com adlibs de arrepiar a espinha. A virada para o refrão final é intensa e transmite a sensação de alívio e de vitória. É o mesmo efeito catártico que está presente na outro de “Psycho”, que se constitui com as repetições arrepiantes da linha “Hey, now we’ll be okay”. É igualmente emocionante.

“Chill Kill” é agridoce por natureza, sobrepondo intensidade e leveza. Como grande parte dos grandes hinos do grupo, ela causa estranheza e, como é de praxe, anda produzindo reações divisivas do público. Mas isso não importa, pois ela é genuína e captura a essência febril do grupo. E para quem é verdadeiramente apaixonado pelo Red Velvet, é uma faixa muito especial, pois é um aviso suave de que, apesar de tantos pesares, tudo vai ficar bem.

Selo: SM Entertainment
Formato: Single
Gênero: K-Pop
Felipe

Graduando em Sistemas e Mídias Digitais, com ênfase em Audiovisual, e Estagiário de Imagem na Pinacoteca do Ceará. É editor do Aquele Tuim, contribuindo com a curadoria de Música do Continente Africano.

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