Crítica | The Eras Tour - São Paulo


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Taylor Swift proporcionou uma celebração abrangente de todas as fases de sua carreira ao revisitar sua discografia em um espetáculo que se estendeu por mais de três horas.

Taylor Swift proporcionou uma celebração abrangente de todas as fases de sua carreira ao revisitar sua discografia em um espetáculo que se estendeu por mais de três horas. Indiscutivelmente, o The Eras Tour se destacou como um dos melhores shows realizados no Brasil ao longo do ano. Explorando os territórios do country e do pop, a artista entregou ao público uma seleção de canções significativas que abrangiam toda a sua trajetória musical.

Em nenhum momento Taylor permitiu que o show se tornasse tedioso; ela permaneceu no palco a cada minuto, conectando-se com a plateia. Além disso, a transição entre suas eras — termo relacionado ao período de lançamento e promoção de álbuns musicais e outros materiais de determinado artista — foi cuidadosamente orquestrada, mantendo a energia e a excitação do público. Cada era apresentava um conceito visual distinto e perfeitamente alinhado com a proposta artística de Taylor. A atmosfera durante todo o evento era eletricamente carregada, com as pessoas emocionadas, gritando e pulando — a euforia era tão intensa que parecia que as cadeiras do estádio poderiam desabar a qualquer momento.

Os momentos mais marcantes da noite incluíram performances de faixas do álbum Lover, com destaque para o ato de abertura com "Miss Americana & The Heartbreak Prince", além de "Lover" e "The Archer". Esse momento foi particularmente especial para aqueles que aguardaram ansiosamente o show após o cancelamento do Lover Fest em 2020 devido à pandemia de COVID-19. Em seguida, Taylor revisitou o aclamado Fearless, apresentando músicas como "Fearless", "You Belong With Me" e "Love Story". A recriação fiel da estética dessa era, com um enorme violão cobrindo a passarela do estádio, foi um dos pontos altos da noite.

Apesar dos inúmeros destaques na primeira parte do show, houve momentos que deixaram a desejar, mesmo que em uma escala mínima. A decisão de expandir algumas eras e reduzir outras não agradou a todos, como evidenciado na apresentação de músicas do álbum Evermore. A sugestão aqui seria que Taylor poderia ter omitido algumas faixas para dar mais espaço aos álbuns Fearless, Speak Now e Red, que são considerados por muitos como algumas das melhores eras de sua carreira.

A incursão pelo álbum Reputation, que divide opiniões, apresentou hits como "...Ready For It?", "Delicate", "Don’t Blame Me" e "Look What You Made Me Do". Taylor exibiu várias facetas de sua persona, apoiada por suas talentosas dançarinas. A transição para o ato de Speak Now, com Taylor vestindo um longo vestido e segurando um violão, foi emocionante. No entanto, a escolha de "Enchanted" e "Long Live" deixou um pequeno vazio para aqueles que ansiavam por outras faixas dessa era, principalmente “Back To December”, “Speak Now” e “Mine”. 

Além disso, Red marcou profundamente a noite, especialmente com a apresentação de “22”, que é o momento mais aguardado pelos fãs, em que a artista entrega seu chapéu para alguém da plateia em um gesto de conexão, e também com a versão estendida de 10 minutos da música "All Too Well". Em Folklore, as canções que acompanham uma narrativa às vezes aprimorada e outras enraizadas em tradições, ofereceram um momento introspectivo, proporcionando uma pausa no frenesi do mundo ao nosso redor. Esse álbum, em particular, serviu como um conforto aos fãs durante o período turbulento que presenciamos em 2020.

A entrada no universo de 1989 destacou-se como um dos momentos mais interativos da noite, tanto entre Taylor e o público como entre os próprios espectadores. A escolha cuidadosa das canções desencadeou uma energia contagiante, com todos participando ativamente. Um dos pontos mais aguardados foi o segmento de músicas surpresas, em que Taylor presenteou o público com "Safe & Sound", trilha sonora do filme Jogos Vorazes, e "Untouchable", do álbum Fearless.

O encerramento da noite foi dedicado ao seu projeto mais recente, Midnights, que mesmo para aqueles que, inicialmente, não se conectaram com o álbum, testemunhar suas músicas ao vivo proporcionou uma experiência única, destacando faixas como "Vigilante Shit" e "Karma". Taylor Swift, indiscutivelmente a queridinha do pop, exibiu carisma e uma presença de palco que transcendeu palavras. Ela irradiava felicidade, deixando claro que ama o que faz e o espetáculo se transformou em uma experiência coletiva valiosa, onde os fãs se conectaram não apenas com a música, mas também com a genuinidade e paixão da artista.


Brinatti

Graduando em Ciências Sociais, com ênfase em Antropologia e Sociologia, 27 anos. É editor e repórter do Aquele Tuim, em que faz parte das curadorias de MPB, Pós-MPB, Música Brasileira e Pop.

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