Crítica | the mockingbird & THE CROW


½

A certidão de óbito da música conceitual.

Bem, costumo destinar o hall da fama das notas mínimas aos álbuns que seria melhor se nunca tivessem sido publicados para começo de conversa. the mockingbird & THE CROWN é exatamente isso, sendo que a cada música que passa o álbum ou piora ou permanece na mesma qualidade de mijo imundo de rato que é estabelecida logo na primeira faixa.

Baladas country com as mais amadoras e incorretas  —  quando não óbvias e entediantes  —  composições, piores timbres de violão possíveis de se encontrar e, sem sombra de dúvidas, a pior mixagem de 2023. Entretanto, se fosse apenas isso o disco não estaria em segundo lugar entre os piores do ano, não, o maior problema são as letras.

HARDY discorre sobre os temas que falha em abordar com o máximo de deselegância possível que consegue — mesmo que não seja ajudado pelo destroçamento de sua voz por meio de pós-processamento  — , entre os quais há: misoginia, masculinismo, exaltação do consumismo, glorificação e omissão da vida rural, reacionarismo barato, exaltação do alcoolismo e muito, muito mais.

Porém, não para por aí, na metade do disco ele passa de um bro-country detestável para o pior rock/metal alternativo que você vai ouvir na vida, amplificando os temas masculinistas e piorando o que já estava no fundo do barril: as letras, a mixagem e a composição. E é justamente por essa mudança “radical” que o disco se vangloria, liricamente, de ser altamente conceitual e revolucionário, como se Nickelback não tivesse feito e refeito as últimas 9 músicas do disco duas décadas atrás — sem contar que country rock existe há mais tempo ainda.

Para não me estender mais, digo que o álbum não merece nenhum direito de ser definido para além de uma experiência traumática, anómala e preocupante, mas, lamentavelmente, admito que falhei nesse ponto.

Selo: Big Loud
Formato: LP
Gêneros: Country / Rock, Bro-Country, Rock Alternativo, Metal Alternativo
Sophi

Sophia, 18 anos, estudante e redatora no Aquele Tuim, em que faço parte das curadorias de Rap e Hip Hop e Experimental/Eletrônica e Funk.

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