Crítica | EVERY LOSER



Não havia motivo algum para Iggy Pop lançar esse disco em 2023, mas ele o fez mesmo assim, e as consequências foram devastadoras.

A melhor definição plausível de um álbum desnecessário — se é que isso existe. Não havia motivo algum para Iggy Pop lançar esse disco. Zero. O que ele tem a oferecer à música nesse ponto de sua vida? Uma ideia nova? Definitivamente não. Talvez ele só queira se divertir? Bem, é fácil perceber que ele está mais enraivecido com alguma coisa abstrata inventada por ele mesmo que se divertindo. “Ah, mas ele ainda deve fazer música genérica boa, legal de se ouvir, não?” E é com uma tristeza no olhar que tenho que falar que não, é tenebroso.

Todo o disco é tão mal mixado que soa como uma grossa e larga salsicha de som, comprimida até o inferno e, certamente, ausente de qualquer sensibilidade “indie” possível. A “estética DYI” vai para um lado pop indesejável, o qual combina performances ríspidas, guitarras baratas e paredes de som indiscerníveis de um instrumento sequer, enquanto, claro, tenta fazer um hit de garage rock para a rádio.

Além disso, embora se autoproclame como um disco de punk — e isso no jeito mais “idoso reacionário inconformado” possível —, não há uma singela característica punk em EVERY LOSER. Na realidade, Iggy Pop passa a maior parte do tempo comentando assuntos deveras relevantes como fazer sexo com mulheres velhas, o tempo de tela excessivo da juventude ou muito pior. Minha recomendação é passar bem longe disso aqui, alguns quilômetros deve ser o suficiente.

Selo: Atlantic, Gold Tooth
Formato: LP
Gêneros: Rock / Garage Rock Revival, Pós-Punk
Sophi

Sophia, 18 anos, estudante e redatora no Aquele Tuim, em que faço parte das curadorias de Rap e Hip Hop e Experimental/Eletrônica e Funk.

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