Crítica | ear candy


½

ear candy é o mais vazio álbum de 2023. Não há como se interessar menos por algo nesse ano, pois nem ele se interessa minimamente por si mesmo.

Chegamos naquele momento em que um gênero começa a ter projetos feitos de má vontade por não-músicos famosos, e é a vez do hyperpop. Em toda a sinceridade, enquanto escutava ear candy, a última coisa que passava pela minha cabeça era o próprio conteúdo do álbum. Todas as melodias, sintetizadores, performances e momentos entraram por um ouvido e saíam pelo outro, e por isso tive que ouvir o EP várias vezes.

Durante esse processo, notei logo de cara que todas as faixas seguiam uma exata mesma estrutura, os exatos mesmos temas, as exatas mesmas formas vocais de se expressar e as exatas mesmas paletas sonoras. Portanto, tomei por mim que, como conclusão lógica, não há nada que realmente separe uma música da outra, e assim denotando que todas as músicas são, na prática, iguais. Se alguém não consegue observar a diferença entre 14 músicas, todas com os mesmo elementos dispostos na mesma ordem e maneira, então não é diferente de 14 músicas de puro silêncio; elas são todas idênticas em definição da mesma forma que gêmeos idênticos são vistos como idênticos.

Dessa forma, é por essa completa ausência de esforço, qualidade, diversão ou personalidade que digo, com convicção, que ear candy é o mais vazio álbum de 2023, e que não há como se interessar menos por algo desse ano, visto que nem ele se interessa minimamente por si mesmo.

Selo: Fat Cat Studios
Formato: LP
Gêneros: Pop / Hyperpop, Pop Rap
Sophi

Sophia, 18 anos, estudante e redatora no Aquele Tuim, em que faço parte das curadorias de Rap e Hip Hop e Experimental/Eletrônica e Funk.

Postagem Anterior Próxima Postagem