Crítica | “EENIE MEENIE”



★★★½

CHUNG HA afirma estar pronta para o seu retorno aos palcos em duas faixas que são extremos diferentes.

Após 1 ano e 8 meses sem lançamentos, a solista CHUNG HA explora um caminho que nunca esteve em seu radar com tanta evidência: o Hip Hop. “EENIE MEENIE”, canção principal do conjunto de singles, tem um apelo emocional enorme pelo fato de ser esse tão desejado retorno, mas desliza em diversos momentos. A canção é sutil e passa uma sensação de que está faltando algo. O pré-refrão é, então, a melhor parte de todas, já que o instrumental não fica naquela batida sem graça de violão, e também porque nessa parte os vocais da cantora estão mais lapidados.

O refrão é interessante, apresentando um anti-drop com produção agradável, mas como o instrumental não é tão forte, os espaços entre as pequenas palavras cantadas no trecho soam fracos e enfatiza o pensamento de escassez.

A ilustre presença do Hongjoong do ATEEZ não deveria nem estar nessa canção. O seu verso de rap é desconexo, não acrescenta em nada, e, durante 19 segundos, o nível parece ser reduzido demais. Combinado esse erro com o sample do violão desafinado e desconfortável, “EENIE MEENIE” passa a ser decepcionante.

Mas, nem tudo está perdido. “I’m Ready”, canção complementar do single e, assim como lançamentos passados (“Stay Tonight” e “Snapping”), ela abusa dos elementos do dance-pop. Uma das coisas mais admiráveis, tanto de CHUNG HA quanto dessa faixa, é que sempre há um trabalho com artistas e dançarinos queer. A cantora já fez isso outras vezes, e sempre demonstrou apoio à comunidade, então uma certa simpatia é criada em volta dela apenas por esse fato.

O house é bem apresentado e construído de forma progressiva, e até com o anti-drop, uma técnica que sempre é utilizada de forma genial por CHUNG HA, nada soa fora do ritmo e traz um “tempero” para o lançamento.

CHUNG HA pode ter errado algumas vezes nesse retorno, mas a obra, de modo geral, é sempre detalhista e cheia de paixão. “EENIE MEENIE” apresenta canções que crescem a cada vez que são reproduzidas, só deixando ansiedade para o que vem em seguida e instigando essa nova etapa na carreira da cantora após problemas contratuais e tanto tempo sem um retorno digno.

Selo: MORE VISION
Formato: Single
Gênero: Música do Leste e Sudeste Asiático / K-Pop, Dance
João Vitor

20 anos, nascido no interior da Bahia e graduando em Ciências da Computação. Faz parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático no site Aquele Tuim.

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