Crítica | As Grande As



★★★★½

Provavelmente, o melhor álbum de estreia dos últimos anos, trazendo uma proposta inovadora para o funk.

O artista Grande Mahogany é reconhecido como produtor, compositor, violonista e cantor que lançou seu álbum de estreia em fevereiro de 2024, que representa uma proposta singular e criativa. Embora seus singles anteriores fossem igualmente inovadores, essa obra apresenta uma nova perspectiva de Mahogany sobre suas próprias produções. Ele demonstra claramente sua intenção de não se conformar com tendências relacionadas a nichos específicos, em vez disso, ele busca expressar sua arte de maneira autêntica e única.

A influência do funk na produção deste álbum traz consigo um olhar vintage, reminiscente das décadas de 70 e 80. Parece que o artista reuniu uma variedade de influências desse gênero e as incorporou num só registro, acompanhado por sua guitarra com riffs magníficos. Assim, As Grande As, breve e objetivamente, transmite uma melancolia que convida à dança.

Por exemplo, ouvir Mahogany falar sobre sentimentos profundos de forma direta em “Thundercurls” é uma experiência altamente gratificante. Muitos artistas, em suas estreias, tendem a não explorar plenamente suas visões, o que não é o caso aqui. Há uma notável audácia nas escolhas de versos em várias faixas, em que Grande Mahogany desafia a si mesmo, sendo que um exemplo notável disso são seus toques distintos em “Spaceboy Pinkhead”. Acredito que a subestimação do artista motive a transcender as barreiras que os grandes nomes do cenário musical atual parecem impor, rumando para um funk com inclinações psicodélicas.

Para ser breve, o único aspecto a ser apontado como problema são os dois interlúdios presentes. O primeiro, que transita pelo estilo afrobeat, teria sido suficiente. No entanto, é importante ressaltar que este detalhe não se configura como algo significativamente prejudicial à obra. Grand Mahogany desponta como uma promessa para o futuro do funk.

Selo: Laundry Music
Formato: LP
Gênero: Rock / Rock Psicodélico, P-Funk, Funk Rock
Alícia Cavalcante

Graduanda em Química. Crítica no Aquele Tuim para as curadorias de Rock e Rap/Hip-Hop.

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