Crítica | boy


★★★★

Em boy, Luke Hemmings se mostra consistente e decidido em relação ao que procura e apresenta em sua carreira.

Como integrante e vocalista principal da banda de Pop Rock australiana 5 Seconds of Summer desde 2011, Luke Hemmings só lançou seu primeiro álbum, intitulado “When Facing the Things We Turn Away From”, após 10 anos de carreira. Agora em 2024, ele retorna com um EP chamado boy. E mesmo com apenas sete faixas, o artista consegue deixar o ouvinte submerso em todo o contexto do projeto.

O EP se inicia com a melancólica “I’m Still Your Boy”, e começa da melhor maneira possível. A canção dá um grande show na produção, com enormes texturas, camadas e mudanças bruscas, acompanhada de uma letra que narra uma sequência de acontecimentos que o fizeram perder alguém, demonstrando arrependimento e uma sensação de ainda pertencer a essa pessoa, mesmo não pertencendo.

“Shakes” foi o primeiro single de trabalho desta nova era e consegue demonstrar liricamente como ela representa o projeto. É uma faixa bastante comercial, sendo algo que se veria viralizando em redes sociais, mas isso não a torna ruim, ainda mais pelo fato dela se assemelhar bem ao que o Hemmings já fez em músicas anteriores.

Em “Benny”, uma situação delicada é abordada. A canção leva o nome do irmão do Luke, Ben, mas de acordo com o próprio cantor, representa todos os seus familiares. Nela, vemos um grande sentimento de vazio quando percebemos que estamos tão distantes das pessoas que amamos, ainda mais se sentindo impotente. Hemmings deixa claro o seu desejo de sempre ajudá-las, principalmente no refrão, onde diz “I set myself on fire to keep you warm”.

Tentando superar seus medos, ansiedades e angústias, “Close My Eyes” trata de esquecer traumas passados e focar nas conquistas. É uma canção otimista, mesmo abordando trechos melancólicos e tristes, perceptível até no instrumental, com uma bateria mais frenética no refrão e pequenos elementos de sintetizadores dando um tom diferente à produção.

Utilizando alguns antônimos para contraste, “Garden Life” apresenta um relacionamento entre pessoas diferentes que aprenderam a conviver com divergências, resultando em mágoa para ambas, onde uma é comparada a um salgueiro-chorão em uma vida de jardim.

“Close Enough To Feel You” expressa a frustração de não conseguir sentir o seu amado. Lutando contra o sentimento de sufocamento, Luke não consegue seguir em frente e acaba falando sobre tudo que o faz lembrar dessa pessoa. Nos trechos do refrão, mostra que ele já se acostumou com essa sensação de perda ao ponto de estar sempre pior do que antes e nunca sair desse ciclo vicioso.

Com “Promises”, os quatro últimos minutos são infelizes – talvez num bom sentido. A canção se destaca por ser uma das mais lentas do projeto, ainda mais complementado pelos trechos “It's the promises / We break 'em every time / And every consequence / We kiss between the lines” que, mesmo estando com a pessoa que amamos, ainda nos sentimos inseguros acerca de promessas não cumpridas e desejos quebrados.

Em boy, Luke Hemming consegue abordar a sua tristeza, solidão e decepção da melhor forma. Se comparado com o primeiro disco, esse EP não tem canções tão memoráveis como “Starting Line” e “Baby Blue” – suas duas melhores músicas –, mas ele ainda continua consistente, apresentando uma coesão incrível e nunca deixando de utilizar metáforas que enriquecem a escrita melancólica.

Selo: Arista
Formato: EP
Gênero: Pop / Rock, Rock Alternativo
João Vitor

20 anos, nascido no interior da Bahia e graduando em Ciências da Computação. Faz parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático no site Aquele Tuim.

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