Crítica | Delight

★★★½

Delight é voltado para uma descrição menos meditativa e mais focada na enunciação e na perplexidade de suas conexões artísticas.

A intensa combustão de ideias que perpassa as intenções de Arushi Jain mistura as raízes de Bageshri, e a sua proximidade com todos os Raga — modalidades da música clássica indiana — para uma descrição menos meditativa e mais focada na enunciação e na perplexidade.

É uma forma interessante de cultivar parte da memória, não só pelas suas chamadas raízes, mas também pela forma como esta consternação sonora tende a oferecer um espectáculo cultural único.

São poucas as obras hoje que buscam modernizar seus alicerces sem deixá-los corroer a intenção última de servir de suporte à expressão e à singularidade. Trata-se de sentimentos, de permanecer em comunhão com o que formulou o seu estado de expressão.

É por isso que momentos como “Imagine An Orchestra” e “A Portal To Silver Linings” misturam o passado e o presente — vindos de elementos talvez exógenos ao espaço que o álbum compreende, tecendo uma espécie de trance unido ao techno. É a paixão e a superfície lúdica que a música tem como meio indissolúvel de projeção simbiótica.

Selo: Leaving
Formato: LP
Gênero: Eletrônica / Ambiente, Música Eletrônica Progressiva
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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