Crítica | Princ€ss



★★★½

Meditativo e caótico ao mesmo tempo, Princ€ss é o resultado de uma união única de fatores.

Meditativo e caótico ao mesmo tempo, Princ€ss é o resultado de uma união única de fatores, com ideias opostas que se atraem na medida certa para criar estranheza e desconforto entre peças que se desenrolam na ausência de certezas.

“Crying”, faixa de abertura do álbum de estreia do coletivo Princ€ss, é um chamado ao escuro: há arranhões, gotejamentos, cordas desafinadas e uma explosão cintilante de tudo ao mesmo tempo, desmembramento que sempre parece preparar o ouvinte do que vem a seguir.

No restante da obra, encontramos os principais aspectos que declaram seu surgimento, como se à medida que avançamos, sua abordagem decompusesse a sobreposição de sons desde o início — exceto com os vocais, que aparecem repentinamente em “Point of View” e “Sometimes”, sendo a segunda faixa a mais impressionante em termos de utilização.

Princ€ss, assim, avança intercalando longos minutos de silêncio incômodo, conturbado apenas por estridentes metálicos e melodias grossas de violoncelo, o que arrepia e perpetua a busca do coletivo em causar diferentes sensações quanto à sua difícil e puramente difusa audição, que se desmembra entre a calma e o alvoroço musical de uma sala trancada sem qualquer sinal de escapatória.

Selo: wherethetimegoes
Formato: LP
Gênero: Experimental / Ambiente, Drone
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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