Crítica | Cheditalk



★★★½

A mistura certa do baile funk com outras vertentes da música eletrônica.

O funk flerta com a música eletrônica como espaço externo desde que o mundo é mundo. Porém, são poucas as vezes que esse encontro tem um resultado positivo no sentido de: 1) preservar a própria ideia central do gênero em ser incontrolável, e 2) não soar distante das raízes com as quais a produção é realizada até os dias de hoje, seja pelos artistas ou pela própria noção de localidade: os bailes. Mesmo acrescentando camadas mais profundas — e diferentes do habitual — ao funk, Chediak e Crosstalk ainda mantêm certos aspectos estilísticos, que aqui vêm dos samples com repetições (“no baile”) e virais no TikTok que ajudam o funk a atingir um novo ápice (“5 am”). É interessante, pois as escolhas da dupla em trazer esse aspecto universal da eletrônica (dubstep, jungle e drum and bass) com o baile funk acaba funcionando muito bem, notamos uma profundidade de significado que raramente vemos quando um estrangeiro propõe promover este tipo de mistura.

Selo: SPEEDTEST
Formato: EP
Gênero: Eletrônica / Funk
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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