Crítica | Here in the Pitch



★★★★

Ao mesmo tempo que é velho, Here in the Pitch também é novo. É atual e deixa uma vontade de explorar um passado quase inexistente.

Sonolento, o novo álbum de Jessica Pratt, Here in the Pitch, tem a vantagem de ser curto e sucinto. Claro que ainda existe nele uma enorme enrolação em relação aos temas que perambulam por uma rua com pouca iluminação enquanto a quietude e o sereno da noite ofuscam as lamparinas.

É um álbum que encontra força no retrô, no antigo e nas coisas que atiçam a rinite de qualquer um. Mas também é lindo e cheio de momentos doces como “Better Hate”, “Empires Never Know” e “Glances”, e por isso soa como uma obra estimada que ficou perdida no tempo. Talvez seja isso mesmo, já que em seus trinta e poucos anos Pratt nunca chegou perto de alcançar uma fama consistente a ponto de se estabelecer como referência absoluta em seu meio.

Here in the Pitch, porém, tem chances de repercutir muito bem, pois ao mesmo tempo que é velho, também é novo. É atual e deixa uma vontade de explorar um passado quase inexistente, é uma obra que firma o seu potencial na experiência, em propor e reconstruir visões de mundo que antes estavam ausentes no cérebro de quem a ouve cantar, com sua voz doce e embargada por uma estética dos anos 1960, sobre a tristeza e a melancolia de viver o hoje.

Selo: Mexican Summer
Formato: LP
Gênero: Folk / Folk Contemporâneo, Singer-Songwriter
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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