Crítica | Radical Optimism



★★★

Pouco expressivo e conceitualmente confuso, novo álbum de Dua Lipa não condiz com a trajetória da popstar.

Pop dançante, influências dos anos 70 e 80 e letras pouco intimistas. Foi dessa forma que Dua Lipa se consolidou como um dos grandes nomes do pop britânico atual. E se álbuns que dão match com as pistas de dança são o ponto forte da cantora, vide uma das grandes obras-primas do mainstream desta década, o aclamado Future Nostalgia, em Radical Optimism há muito pouco a ser mostrado.

Produzido por nomes como Kevin Parker (Tame Impala) e Danny L Harle, que esteve por trás de músicas como “I Believe”, de Caroline Polachek, e “ILY2”, de Charli XCX, o novo álbum de Dua Lipa foi vendido como um “tributo com infusão de pop psicodélico à cultura rave do Reino Unido”. Lamentavelmente, há muito pouco disso ao longo das 11 faixas que compõem o material. Possivelmente, “Houdini”, carro-chefe da era, seja a que mais capta essa tal psicodelia prometida pela cantora, visto que remete muito a canções do catálogo autoral de Parker.

As ótimas “Training Season” e “Illusion”, lançadas como singles na sequência de “Houdini”, também se destacam em um mar de faixas tão esquecíveis. Dentre as inéditas, “End Of An Era” é a que mais faz jus à hitmaker nata que Dua se tornou com o passar dos anos, e “These Walls” e “Falling Forever” cumprem muito bem o papel de trazer novas nuances à discografia da britânica. Mesmo com pontos positivos, Radical Optimism tem erros claros durante seu percurso. “French Exit” soa totalmente avulsa na lista de faixas do disco, enquanto “Anything For Love” frustra por soar inacabada. Ademais, “Maria” é, possivelmente, a pior música já lançada por Dua Lipa até então.

11 faixas e 36 minutos depois, não ficam claras quais eram as intenções de Dua Lipa com esse álbum. Desconexo, perdido e sem tanta expressividade, são poucas as canções que não correm o risco de sucumbir ao esquecimento com o passar dos anos. Além de pouco remeter sonoramente ao que foi prometido pela artista, o disco derrapa ao sequer fazer jus à efervescência que vem moldando a carreira da popstar.

Selo: Warner
Formato: LP
Gênero: Pop
Lucas Souza

Jornalista, escritor, noveleiro e movido a música desde que se entende por gente. Redator na Aquele Tuim e curador de MPB, Pós-MPB, Música Brasileira e Pop.

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