Crítica | Nonetheless



★★★½

Nonetheless brilha quando o Pet Shop Boys se concentra em fazer o que fazem de melhor: synthpop dançante.

Nos anos 80, um estilo se destacou como um grande sucesso comercial: o synthpop. Entre os artistas mais importantes para a construção desse gênero, o Pet Shop Boys está entre os principais. Todo o catálogo lançado por eles nessa década e no início dos anos 90 marcou não apenas o subgênero, mas também a música pop no geral. A obra deles durante a era dourada que tiveram é uma excelente amostra das principais abordagens que marcaram o technopop no período. Em Introspective, por exemplo, eles traziam o electro-disco que surgia no mesmo período que o synthpop junto à sua sonoridade principal e fazia registro muito divertido que se firmou como um dos projetos mais reconhecidos da vertente da música disco. Além disso, o freestyle e o sophisti-pop, sempre estiveram presentes em sua discografia, alinhados a uma produção que abusava de sintetizadores melódicos. Isso evidencia que o trabalho do duo passava por vários ritmos que estavam em seu auge naquele tempo, e que serviram como influência para diversas faixas de synthesizer-pop naquele momento.

Em seu novo registro, Nonetheless, o Pet Shop Boys está longe da maestria de seus projetos de maior renome. No entanto, não acho que estivessem realmente propondo algo excepcional aqui. Os artistas chegaram numa fase de sua carreira em que eles já fizeram sua marca na indústria e não precisam mais provar nada. Dessa forma, eles se mantêm na zona de conforto ao explorar sonoridades que já eram características na obra do duo. Isso, entretanto, não os impede de fazer músicas divertidas. Embora tudo aqui soe familiar para quem já ouviu sua discografia, eles ainda conseguem apresentar os sons mais marcantes de seu trabalho através de músicas sedutoras.

“Loneliness” apresenta as características que tornaram a obra de Pet Shop Boys lustrosa. Essa faixa é um exemplo excelente da maestria dos artistas em operar o synthpop e gêneros adjacentes de maneira divertida. Além de melodias muito cativantes, a produção apresenta um som envolvente proporcionado pelos synth-baixos com energia atraente e os metais triunfantes. Em “Feel”, os elementos eletrônicos de HI-NRG tentadores são mesclados com baterias de freestyle eletrizante, criando um dance-pop formidável. Já “Bullet For Narcissus” mistura o synthpop com ritmos house criando uma canção extremamente atraente.

A abordagem que sempre fez os artistas se destacarem foi a combinação de eletrônicos arrepiantes acompanhados de ritmo dançante. Quando o álbum se mantém nessa sonoridade, ele acerta bastante. No entanto, a obra é também embalada por baladas pop rock com instrumentação que tem como base orquestra. Nesses momentos, apesar da produção competente que cria um som adorável, a performance de Pet Shop Boys é considerada apática. Essas canções evidenciam que o duo não se encaixa muito bem em músicas com andamento mais lento. Em discos anteriores, mesmo nos momentos mais calmos, eles mantinham uma boa qualidade ao preservar o synthpop característico, o que permitia uma conexão melhor com o material. Aqui, todavia, ao focar no baroque-pop, a entrega dos britânicos parece mais fatigada. No geral, apesar de um bom álbum, Nonetheless seria mais sólido se dispensasse as baladas.

Selo: Parlophone
Formato: LP
Gênero: Pop / Dance-Pop, Synthpop
Davi Bittencourt

Davi Bittencourt, nascido na capital do Rio de Janeiro em 2006, estudante de direito, contribuo como redator para os sites Aquele Tuim e SoundX. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático, Pop e R&B.

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