Crítica | solo (vol.2)



solo (vol.2), de JUNIOR, é um amálgama de ideias ultrapassadas e que são levadas a sério demais.

JUNIOR começou sua carreira em dupla com sua irmã Sandy, na famosa Sandy e Junior. Após o término da dupla, ambos tentaram seguir carreira solo em diferentes vertentes da música. Enquanto Sandy foi para o lado mais romântico, focando em canções acústicas direcionadas à MPB; JUNIOR, por sua vez, se tornou DJ e trabalhou com sons voltados à eletrônica e, até mesmo, para o pop rock — coisas que buscou fazer em solo (vol.1), de 2023, e solo (vol.2), lançado recentemente.

Essa última peça, no entanto, é vazia de pontos altos, e algumas músicas se assemelham ao estilo que perdurou no pop nacional há, pelo menos, uns 8 anos atrás, com ganchos eletrônicos sem grandes inspirações e letras superficiais que somente tentam impressionar, e nada mais.

O pop rock aqui é o mesmo que normalmente vemos em artistas como Wallows, mas indo além para parecer um rock leve, cujos vocais de JUNIOR também não colaboram já que em certas faixas a voz do artista desaparece em meio a uma produção confusa e deveras superficial, como em “Fome”, música em colaboração com Gloria Groove, que até traz um verso rap atraente em meio ao pop sintético e sem vida, compreendo o erro de soar sério demais — um amálgama completo de produções que falham em suas tentativas.

Resumindo, solo (vol.2) demonstra que mesmo que você já esteja consolidado na indústria, e entenda muito de música, isso não significa que você pode fazer um trabalho atual que seja coeso — ou mesmo pouco entediante. Infelizmente, JUNIOR perdeu a largada e conseguiu produzir uma das obras brasileiras mais fracas deste ano. Dessa vez, entre sorrir e chorar, meu coração decidiu chorar.

Selo: Jack Produções
Formato: LP
Gênero: Pop / Música Brasileira
Lucas Melo

Estudante de jornalismo, 18 anos. Amante da música e da cultura pop desde da infância. É crítico do Aquele Tuim, em que faço parte da curadorias de R&B e Soul.

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