Crítica | REVIVE+


★★

O IVE vinha em uma maré de azar com os seus lançamentos. Após atingir o maior pico artístico de sua carreira com o IVE SWITCH, os dois EPs seguidos foram um desastre. Apesar de “XOXZ” e “REBEL HEART” serem canções divertidas, não havia um apelo enorme que envolvesse ambas – isso sem contar a esquecida “ATTITUDE”, que até hoje ninguém sabe por que foi lançada. Iniciando as atividades promocionais para mais um retorno, nos deparamos com a revelação que o sexteto lançaria o seu segundo álbum completo, o que pincela uma tinta de curiosidade sobre como o projeto iria se estruturar depois de tantas falhas.

“BANG BANG”, o primeiro single do álbum, foi um acerto direto ao meio do alvo. Com essa pegada de caubói high-tech com batidas eletrônicas e guitarras que referenciam o velho oeste, o grupo entrega uma faixa contagiante, brilhante e divertida. Ao longo que a canção vai crescendo, nos deparamos com todas as suas camadas, em como cada refrão se comporta de um modo diferente e em como as vozes do grupo se divergem tanto cantando as mesmas partes de um refrão – inclusive, preciso destacar o quão satisfatório é ouvir a REI cantando o “ah-yah-yah” de um modo que soa agressivo e de personalidade forte.

Então, partindo para o lançamento regular do projeto, nos deparamos com “BLACKHOLE”, a faixa-título. Com um synthpop sutil e que tenta nos remeter canções mais antigas do grupo, como “I AM” e “ELEVEN”, a canção tem um refrão explosivo que implora pela sua atenção, e mesmo assim, ainda soa como se faltasse algo para que ela fosse o single mais divertido do IVE.

Como o álbum é dividido naquela mecânica bem conhecida por fãs de k-pop – metade são músicas em grupo, e outra metade são canções solos das integrantes –, as faixas que são voltadas para o sexteto são canções que até que te divertem, mas não trazem um gosto de tão impactante assim. “Hush” tem um quê de pop dos anos 2000, sendo a que mais se destaca por ao menos buscar algo além do que seja comum nos dias atuais.

E quando chegam nas faixas solos, percebemos a individualidade de cada uma, mas isso não significa que elas são sempre positivas. JANGWONYOUNG – ou só WONYOUNG – consegue captar bem a sua energia de it girl que foi criada desde os seus 15 anos no IZ*ONE e faz “8” uma canção completamente forte e poderosa, enquanto “Unreal”, da LIZ, é só uma faixa comum que as empresas dão para vocalistas principais, que não consegue pegar nada da personalidade única que ela cria através de diversos momentos no grupo.

No fim, REVIVE+ não é um álbum extraordinário, mas só por fazer o básico bem feito, vale a experiência, ainda mais comparado com os últimos projetos do grupo. IVE parece voltar aos trilhos do que fazer em um projeto, mesmo que ele ainda tivesse muito potencial que não foi bem aproveitado ao longo das faixas.

Selo: Starship
Formato: LP
Gênero: Música do Leste e Sudeste Asiático / K-pop
João Vitor

20 anos, nascido no interior da Bahia e graduando em Ciências da Computação. Faz parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático no site Aquele Tuim.

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