Crítica | BRIME!!


★★★★

BRIME!! representa com exatidão a criatividade abrasiva brasileira. Poucas culturas conseguem mesclar com tamanho talento e originalidade inúmeros gêneros que, à primeira vista, não parecem soar em um certo uníssono perceptível, mas, ao aproximarmos a nossa visão, os pequenos detalhes que geralmente não seriam palpáveis de forma clara se tornam as linhas conectivas entre gêneros. Se a química entre o trio original que deu vida a essa grande miscelânea brasileira já era de uma certeza absoluta, eles trazem vida a um novo patamar, superando as expectativas assim que o primeiro play é dado.

Febem e Fleezus se balanceiam de forma orgânica, com refrões que variam dos mais incisivos até os mais melódicos, com um Febem um pouco mais acima do que vimos em ABAIXO DO RADAR e um Fleezus que rouba a cena em literalmente qualquer minuto que agracia esse pequeno projeto. As músicas se condensam de forma quase que clínica, não extrapolando em extensão e cumprindo o seu propósito, partindo para a sua sequência, para mais uma expansão de ideias. O primeiro projeto era a surpresa da miscelânea, e este se torna o maturamento das ideias, com os MCs procurando desbravar ainda mais terreno. CESRV demonstra talvez as suas ideias mais frescas desde o primeiro projeto – o deluxe foi apenas uma adição, e sofre com uma leve inconsistência –, mantendo o nível do projeto em um pico impressionante.

É difícil denotar um ponto mais alto aqui, pois cada faixa tem a sua particularidade que exemplifica essa expansão. “Maduro Tech-Fleece” com o seu instrumental agressivo e com um sample agradável remetente a Furacão 2000 – “Mimosa 2000”, que vem da faixa “Now And Forever”, de Nyasia – e rimas de classes pungentes que trazem em perfeita sincronia o êxtase e a reflexão. A que se segue, “São Paulo Aquariana", tem cortes de Summer Walker, começa como um funk paulista classudo, mas se transforma em um UK garage com esplendor, uma love song com inserção de um saxofone tímido que controla a sua atenção a todo momento.

BRIME!! não precisa retornar ao fator surpresa do seu querido projeto anterior, mas faz a difícil tarefa de expandir as ideias que foram uma vez introduzidas pelo trio, que potencializa a química já consagrada e transforma uma escuta rápida em algo prazeroso e ambicioso no que se propõe. Para alguém que esperava uma escuta regular, o trio consegue, com louvor, a dilatação do mundo que propriamente criaram.

Selo: EMPIRE
Formato: EP
Gênero: Hip Hop / Grime, Funk

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