Crítica | held


★★

As flautas que surgem ao longo de held, EP de estreia de afromerm, dão uma dica preciosa dos caminhos usados por ela para comportar o som que completa as três peças do disco e a própria atmosfera a qual busca criar, com vocais que parecem pairar sob o vento. Há um tanto de formalidades postas aqui, uma vez que ao mesmo tempo que busca recorrer ao new age e suas características na composição de ambientações espirituais, o disco também coloca valor à própria voz da artista, contrastante.

É uma amálgama dos principais caminhos que afromerm, projeto solo da compositora e artista sonora Cecilia Morgan, vem criando desde que começou a soltar algumas de suas criações por aí, repletas de acenos contemporâneos ao jazz e sempre imersa num diálogo com fragmentos de música eletrônica. Essa sua escola pessoal de criação é bastante nítida na faixa-título, “held”, que surge com notas suspendidas ao fundo, um tom de dub techno mais gélido do que o normal, o que acaba naturalmente criando uma profundidade explorada por instrumentos e batidas que surgem num design de som atordoante.

A leveza, nesta faixa final, inexiste. É quase o oposto da abertura “reciprocity”, cujo trabalho com cordas também é um destaque à parte, especialmente os violinos e o violoncelo. Na música, ainda há espaço para a harpa e a flauta, que despontam no instante em que o ritmo é mais cadenciado. “lately I've been tied up in my own thoughts / I haven't given a second thought to your embrace / but I'll change that, I'll change that, I'll change that”, canta ela em uma das exibições vocais mais lindas de 2026.

Selo: remedu
Formato: LP
Gênero: Pop / New Age

Matheus José

Graduando em Letras, 25 anos. É editor do Aquele Tuim, em que integra as curadorias de Funk, Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

Postagem Anterior Próxima Postagem