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Ultimamente, a comemoração de dez anos é um ponto bastante interessante na carreira para diversos grupos de k-pop, em que é tentado demonstrar estabilidade, foco e persistência, até mesmo para aqueles que se separaram e voltam de uma forma especial para esse marco. E com o BLACKPINK não foi diferente. Tendo o último lançamento regular em 2022, o grupo se reuniu em 2025 para iniciar uma turnê e lançar o single “JUMP”, e meses depois, o quarteto nos revela o seu terceiro EP, o DEADLINE.
Com “JUMP”, houve uma certa expectativa acerca do novo som do quarteto. A faixa dance pop com influências do techno e que causou uma certa atenção por parecer replicar sons do trot sul-coreano parecia um novo mundo para o grupo, sem aquelas chamadas completamente genéricas e com uma outro chocante. Era, sem dúvidas, o melhor lançamento delas em anos. Mas, ao lançar o EP, é perceptível como tudo era diferente – na verdade, o BLACKPINK tinha voltado a ser aquele BLACKPINK de sempre.
“GO”, apesar de entrar no par das canções que realmente funcionam no projeto, não parece extrair bem o que seria um décimo ano do BLACKPINK. A faixa-título aborda um EDM bastante tradicional, mas nunca imaginaria que veria o grupo cantando esse tipo de faixa em sua carreira. É interessante ver como a canção se porta diferente, apesar de tudo.
Mas, se o lançamento fosse apenas um single álbum que encerrasse em “GO”, estaríamos no lucro, porque todas as outras canções do EP são incrivelmente genéricas. Se “Typa Girl”, faixa do BORN PINK, já era ruim, imagina “Me and my”, que tenta replicar a sonoridade por conta do sucesso da b-side mais rentável do lançamento anterior.
“Champions” não demonstra nenhuma vitória, inclusive é um retrocesso, porque a faixa é vazia, sem emoção e até poderia ser melhor se tivesse ao menos uma certa curadoria sobre o que fazer ou não fazer na música – seria esse um dos primeiros deslizes da EJAE na composição? –, e “Fxxxboy” nos relembra o quão ruim o BLACKPINK é em faixas lentas.
Em comparação, esse foi um dos projetos de dez anos mais medíocres da terceira geração do k-pop. Analisando grupos como GFRIEND, Red Velvet, TWICE e até mesmo o WJSN (Cosmic Girls) conseguiram se sair bem em todas as suas abordagens comemorativas: “Season of Memories” foi uma canção fofa, focando nos fãs que não viam o GFRIEND como grupo completo por anos; “Cosmic” foi um marco de renovação e carisma na discografia do Red Velvet; “THIS IS FOR” não é uma das melhores do grupo, mas voltou a chamar uma atenção para o TWICE; e “Bloom Hour”, que também foi lançada recentemente, é uma faixa empática e aconchegante.
Com BLACKPINK é o completamente o oposto, pois aqui é com se elas estivessem empenhadas em mostrar o que não fazer em uma comemoração de dez anos. Por isso, em DEADLINE, o grupo demonstra nenhuma emoção ou até mesmo empenho para estar de volta. Na maioria das canções, soa como se Jennie, Jisoo, Lisa e Rosé queriam estar em qualquer lugar, menos ali, cantando as letras na gravação. O projeto, além de não ter sido um estrondo comercial – diferente de quase tudo que o grupo costumava lançar –, se envolveu em tantas polêmicas como o uso de Inteligência Artificial nos dois videoclipes da era e, como bônus, ter o Dr. Luke como produtor de duas faixas. Tudo o que tinha para dar errado com esse álbum, deu.
Lembro que anteriormente, quando foi anunciado o DEADLINE, as pessoas brincavam nas redes sociais que a faixa “THE GIRLS”, feita para o jogo mobile do BLACKPINK, estaria como uma canção bônus e, sinceramente, eu preferiria ouvir um looping de 15 minutos dessa canção do que dar play nesse EP completo novamente.
Selo: YG
Formato: EP
Gênero: Música do Leste e Sudeste Asiático / K-pop