Crítica | Ten Fold


★★★★

Em Ten Fold, Yaya Bey demonstra que o fim da vida também pode ser celebrado.

Após 2 anos desde seu quarto LP, Remember Your North Star, a cantora e compositora Yaya Bey abre espaço dentro de si para a felicidade após a morte de um ente querido. As primeiras seis faixas de Ten Fold levam você diretamente aos subúrbios de Nova York, através de sons marcantes que vão do R&B contemporâneo, soul ao house, produzidos principalmente por Corey Fonville e outros colaboradores como Nigel Hall.

A segunda canção do álbum, “the evidence”, traz a luta de Yaya Bey de seguir em frente após a morte de seu pai, Grand Daddy I.U, um artista conhecido na cena hip hop. Já a faixa “chrysanthemums” aborda a positividade em tempos de tormenta, como se mesmo diante da tempestade, houvesse algo bom a ser celebrado — uma metáfora para a esperança de uma vida melhor após a melancolia. “east coast mami”, por outro lado, nos joga em uma atmosfera um pouco diferente, contendo elementos de hip hop, e que alguns versos de Bey se afastam da voz cantada para flertar com o flow do rap.

Os principais singles de Ten Fold, como “sir princess bad bitch”, que traz elementos de house transpondo o ouvinte para dentro das baladas do Harley nos anos 80, e “chasing the bus”, um R&B contemporâneo bem executado, possuem uma melhora significativa no contexto geral do álbum, já que pouco diziam sobre qual seria o cerne da obra antes do lançamento.

E, apesar do êxito de Yaya Bey em aprisionar qualquer um com sua voz, isso não é o suficiente em algumas ocasiões, como “slow dancing in the kitchen”, que embora tenha uma composição positiva sobre o amor, a produção aparenta ser crua, sem muitos arranjos e que às vezes soa como uma música não finalizada. O mesmo acontece com “so fantastic”, que com um minuto de duração parece estar jogada aleatoriamente dentro do álbum.

Ainda assim, Yaya Bey consegue provar-se como uma figura disposta a tecer excelentes posições como escritora, como faz em “Yvette's cooking show”, uma carta aberta ao seu pai, falando sobre amor paterno, influência em sua carreira e o perdão — com certeza a faixa mais bonita deste álbum. Em seguida, “let go” encerra o material com a artista tentando nos indagar o porquê de não deixarmos certas coisas irem embora, já que às vezes o universo faz coisas que nós realmente não entendemos.

Ten Fold é um álbum para momentos relaxantes, que reflete sobre amor próprio, vida amorosa em meio a luta de superar a tristeza avassaladora do luto. Apesar de seus deslizes perceptíveis e com algumas músicas que soam amadoras, Yaya Bey nos mostra que devemos ficar de olho nos próximos passos de sua carreira.

Selo: Big Dada
Formato: LP
Gênero: R&B / R&B contemporâneo, neo-soul
Lucas Melo

Estudante de jornalismo, 18 anos. Amante da música e da cultura pop desde da infância. É crítico do Aquele Tuim, em que faço parte da curadorias de R&B e Soul.

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