Crítica | Reflections Vol. 2: Black Decelerant


★★★★☆
4/5

Para quem pensa que, além de comum, a união de artistas em torno de projetos de música ambiente é algo corriqueiro, sem muito valor agregado, Reflections Vol. 2: Black Decelerant prova o contrário. Aqui, a união não só gera uma força incisiva de mundos e visões, mas também acende a chama que conecta diretamente o ouvinte, numa espécie de fio interdimensional que cresce a cada segundo, afastando-o da órbita terrestre.

Khari Lucas (também conhecido como Contour) e Omari Jazz tecem, sob a neblina que combina o abismo e a altitude, peças que vão e vêm, oscilando entre gravações (“seven 1/2”) e longos takes de cordas quebradiças emaranhadas num som acústico de tons suaves (“cinco”), ou pequenos riscos sintéticos que combinam com a dimensão quase fantasmagórica dos espaços criados pela dupla (“nine”).

A combinação de fatores — que se somam inclusive às suas representações e gestos em direção ao espaço de criação de diferentes artistas negros — fazem de Reflections Vol. 2: Black Decelerant uma obra cuja riqueza não se encontra apenas na sua exposição literal de sonoridade e criação, o contexto, que envolve a coletividade do selo RVNG, também exerce seu peso, ainda mais no momento atual, de surgimento e expansão de artistas da música ambiente (DIY ou não) em plataformas como o Bandcamp. É a hora certa para essas mentes brilharem.

Selo: RVNG
Formato: LP
Gênero: Ambiente / Experimental
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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