Crítica | REVERXE


★★

O EXO sempre foi um dos atos mais reverentes de todo o k-pop, com a sua discografia altamente produzida musicalmente, hits que embalam a história do gênero e a constante demonstração de que são verdadeiros artistas em um grupo completo em todos os sentidos. Mas, ultimamente, o grupo parece um pouco diferente do que estamos acostumados.

EXIST, o álbum anterior lançado em 2023, caminhou para uma sonoridade oposta do que normalmente é feita nos projetos regulares do grupo, e “Cream Soda” foi, definitivamente, uma faixa-título que deu o que falar – para o bem ou para o mal. E, então, as expectativas eram altas para este novo lançamento após quase três anos e, supostamente, com a line up completa em nove membros.

“Crown” é definitivamente uma faixa bem característica da sonoridade que eles sempre percorreram, com batidas frenéticas, refrão colante e contagiante. Apesar do uso de IA (Inteligência Artificial) no vídeo, a nova formação se mostrou completa, mesmo com apenas seis integrantes. Mas um só single não sustenta o projeto inteiro, porque o EXO nunca esteve tão brega em uma música quanto em “Back It Up”: uma faixa vazia, barulhenta (no mal sentido) e que te leva do nada para lugar algum.

No entanto, o disco ainda tem seus pontos fortes, como o R&B delicioso que o EXO sabe muito bem fazer em “Back Pocket”, e até mesmo na balada mid-tempo que serviu como uma prévia para o álbum, “I’m Home”. Nessas duas faixas, mais centradas e menos explosivas, é perceptível ver como o desempenho do sexteto é consistente e não se perde em momento algum, marcando a segunda metade do disco como uma verdadeira pérola mal destacada pelos ouvintes.

No geral, eles nos apresentam um disco que não é ruim, mas também não tem aquele quê de EXO que estamos tão acostumados, e é normal os grupos de k-pop caminharem para um amadurecimento de seu som e explorar novos horizontes, mas eu, particularmente, julgo isso como um mal de alguns artistas da SM, como o SHINee em HARD ou até mesmo a TAEYEON em To.X. É bom vê-los de volta, mesmo com apenas seis integrantes, mas ainda fica uma leve questão em nossa mente: o que realmente faltou para esse álbum ter o seu potencial completo como estamos acostumados? Músicas com produções melhores? Novas abordagens? Porque tudo parece estar no mesmo lugar de sempre, e ainda assim, não é tão bom como antes… É com um gosto agridoce na boca que este projeto nos deixa.

Selo: SM
Formato: LP
Gênero: Música do Leste e Sudeste Asiático / K-pop

João Vitor

20 anos, nascido no interior da Bahia e graduando em Ciências da Computação. Faz parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático no site Aquele Tuim.

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