Crítica | TIMELESS


★★

KAYTRANADA sabe que, para firmar suas criações no imaginário de seu público, precisa de mais do que um bom conjunto de ideias ou qualquer sinal de mudança, como vem fazendo desde seu último álbum, BUBBA, de 2019, ao optar por corresponder a alguns sucessos comerciais que suas produções passaram a ter de lá para cá.

Mas TIMELESS, embora tenha como pano de fundo algumas das melhores explosões eletrônicas de house, samples ordinários e batidas que combinam bem com R&B, pouco é eficaz para além de uma extensa colaboração. Não que o produtor não deva atrair dezenas de artistas para dar forma aos seus ritmos dançantes e festivos, mas fazê-lo dissociando pontos importantes como a própria ação do tempo e o espaço empregado em determinadas faixas tomado por uma calmaria seguida de um turbilhão sintético de fuzilaria que logo se tornou um sinal daquilo de mais interessante tomado por ele, é bastante confuso.

TIMELESS, na sua extensa duração, arrasada por colaborações sem muito sucesso criativo, está longe de soar atemporal. KAYTRANADA deveria saber disso, saber que optar pelo “básico” talvez fosse a melhor forma de manter sua expansão (numérica), mesmo que isso reduza mil vezes seu potencial.

Selo: RCA
Formato: LP
Gênero: Eletrônica / Pop, R&B
Matheus José

Graduando em Letras, 25 anos. É editor do Aquele Tuim, em que integra as curadorias de Funk, Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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