Crítica | PROBLEMA EM DOBRO


★★★★☆
4/5

Se em IGOOOR (A mixtape) IGUR procurou expor substância e unicidade, em PROBLEMA EM DOBRO, EP em parceria com DnL, o produtor parece ativar o seu modo de combate para ir além de qualquer posição meramente metamórfica do funk com batidas e samples substancialmente hardcore. O disco acentua sua força em um desenho de som limpo, tão liso como sabão e inquietantemente líquido como as águas que correm num riacho em uma paisagem bucólica.

O produtor e o selo ao qual pertence, Matula Records, têm o poder de nos transportar por meio de produções afiadas e interdimensionais, que flertam com as infinitas possibilidades da música eletrônica, além de exibir como fazê-las sem dificuldades técnicas. Isso fica evidente na quase oposição a IGOOOR (A mixtape), cuja sonoridade transita do house para fragmentos de techno e reggaeton, num espaço temporal e imagético obscuro, enquanto em PROBLEMA EM DOBRO tudo soa mais aberto, amplo e acessível — o techno agora acompanha o drill com maior firmeza, quase saltitante dos nossos ouvidos.

“LEGALIZEI O DRILL” leva a sério essa expansão experiencial, culminando suas características mais simples com instrumentais densos, rápidos e agressivos, que beiram noções do industrial e das raízes urbanas do gênero em seu contexto de fusão, como ocorre no funk em “TI CONTA (BIKUANA)”. É neste ponto que percebemos a crueza de PROBLEMA EM DOBRO em corresponder à sua própria simbologia eletrônica, aqui polida e retilínea, corroborada facilmente por seu método anti-matemático, tomado por melodias percussivas que parecem acertar contas com o passado pontiagudo de tudo o que deriva do drill and bass pós-noventista.

Selo: Matula
Formato: EP
Gênero: Eletrônica / Techno
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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