Crítica | Empty Hands


★★

Desde a seção final do seu disco de 2018, Am I a Girl?, que habitava uma intersecção interessante entre o electropop e o metal comercial, Poppy tem tido uma das trajetórias artísticas mais interessantes dos últimos tempos, empurrando essa vertente até a sua faceta metal tomar personalidade de vez em I Disagree, se estabelecendo como um dos nomes mais relevantes do metal alternativo, com trabalhos marcantes com o grupo de metalcore Knocked Loose e colaborando com a turnê da encarnação atual do Linkin Park. Alguns discos depois da sua transição de artista pop para personalidade do metal, Empty Hands é um movimento mais profundo a sonoridades mais abrasivas, mas que se coloca numa posição confortável demais dentro do cenário do metal, sem trazer nada que acrescente tanto à sua obra quanto ao estado atual do gênero.

O predecessor Negative Spaces foi o seu movimento definitivo para dentro do metal, mesmo que as músicas enquanto estrutura ainda permitiriam uns floreios remanescentes da música pop que tensionam bem essa relação. Já Empty Hands é um movimento que expande de forma um tanto mais profunda para o lado metal da artista, com músicas que entram de cabeça para o metalcore comercial. Dentro dessa esfera, seu novo álbum ainda opera em facetas da música eletrônica, dessa vez, em abordagens industriais, o que conserva em alguns momentos do álbum o ecletismo que tanto marca sua trajetória.

Nos seus piores momentos, Empty Hands é um álbum de metal moderno que não parece querer escapar do convencional, a produção de Jordan Fish (Bring Me the Horizon) também não ajuda em nenhum momento, desde os timbres mais limpos aos breakdowns que não passam intensidade ou atmosfera, principalmente se comparada com seus parceiros do Knocked Loose. A primeira música, “Public Domain”, é um dos grandes destaques do álbum, muito pelos seus floreios industriais que remetem aos trabalhos anteriores de Poppy. A faixa vai progredindo de uma forma industrial bem suja, e enquanto se mantém eletrônica ela é bem interessante, mas as guitarras não conseguem ter o impacto necessário para a música explodir como deveria. A agressiva “Bruised Sky” remete ao metal alternativo dos anos 2000, misturando guitarras sujas com guturais e vocais limpos, e sua estrutura se repete constantemente durante o álbum, o que é bem representativo de muitos dos problemas que tenho com ele.

“Unravel” é outro momento que se destaca da monotonia, mostrando mais uma vez a natureza eclética de Poppy, que varia de momentos mais comedidos com um refrão limpo a explosões agressivas. A música caracteriza um dos instantes mais abrasivos do álbum, que é a sua condução para “Dying to Forget” que, com certeza, é um dos momentos mais agressivos da discografia da artista, e que também decepciona por seguir a mesma estrutura presente em boa parte das canções de Empty Hands: a ancoração entre agressividade com os refrões mais convencionais e limpos. “Time Will Tell” é outra que se desenvolve de maneira interessante a partir de uma abordagem mais eletrônica, mas que peca novamente pela repetição de motes já apresentados durante o álbum.

Envolto por uma atmosfera convencional de tensão e soltura característicos de uma faceta mais comercial do metal, Empty Hands decepciona por ser um passo para o lado dentro de uma discografia caracterizada pela insatisfação frente à resignação. Para uma artista que se moldava de forma disforme dentro da música pop, a que finalmente abraça a agressividade parece se arriscar menos.

Selo: Sumerian
Formato: LP
Gênero: Metal / Alternative Metal

João Pedro Leopoldino

Interessado principalmente em música, filme e literatura. Sou graduado em Administração e natural de Fortaleza/CE. Além do aquele tuím, escrevo no meu substack pessoal chamado "falando em línguas".

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