Crítica | The Making of Silk


★★

Como todo álbum que segue o caminho deixado pelo soul moderno, The Making of Silk busca alcançar uma delicadeza por vezes exagerada, com a intenção clara de soar um tanto analógico e, acima de tudo, sofisticado. Mas, até que ponto isso pode dar certo? Ou melhor, como?

Primeiro, é preciso criar conexões. Nem todos os álbuns e artistas desse campo moderno de criação e promoção musical conseguem estabelecer essa conexão. Devido a isso, todo envolvimento na produção (ou até mesmo na composição) precisa atravessar uma barreira estética muito espessa: a de não soar apenas como covers.

E isso é um problema, já que as camadas de nostalgia, presentes na mistura desses elementos musicais, como as encontradas aqui, precisam ser permeadas pela identidade do artista. Allysha Joy parece ter dificuldades nesse aspecto, uma vez que recorre constantemente a maneirismos vocais, já abandonadas do R&B/soul. Ela, então, reconstrói esses maneirismos para encaixá-los em uma perspectiva atual. De certa forma, ela consegue isso de maneira precisa e calculada, especialmente nas faixas que o álbum reproduz com relativa facilidade, como o smooth soul de "raise up" e "silk".

Nesse sentido, é fácil passear pelo tempo e evocar sensações ao buscar essa conexão, especialmente quando você dispõe de bons recursos, um bom estúdio e um bom processo de equipagens e gravação. No entanto, é justamente por isso que The Making of Silk pode soar excessivamente expansivo, o que se torna um empecilho para quem busca uma voz e emoção genuínas, algo que não se encontra facilmente aqui. 

Selo: First Word Records
Formato: LP
Gênero: R&B / Neo-Soul
Matheus José

Graduando em Letras, 25 anos. É editor do Aquele Tuim, em que integra as curadorias de Funk, Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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