Crítica | The Voices Are Coming Back


★★★☆☆
3/5

Há uma certa magia por trás da música que Sandra Tervonen e Juuso Malin, do Pearly Drops, criam em The Voices Are Coming Back, que torna impossível não se sentir imerso em suas narrativas e temas, que giram em torno do fascínio por Hollywood. “We'd always imagined LA through the lens of David Lynch: saturated in surrealism, a little menacing, a little magical — and that’s exactly how it felt. A puzzling, but beautiful cultural shock”, refletem eles sobre sua jornada física para Los Angeles, tendo deixado a Finlândia no retrovisor em busca do toque, da sensação de sentir a cidade sobre os seus pés e o tato por todas essas imagens que exploram ao longo do álbum. É interessante porque vai além de quaisquer perspectivas simplistas ou daquelas que meramente reduzem o espaço físico de L.A à inspiração; é claramente mais do que isso, e o som que eles tecem tem tudo a ver com a forma como eles veem o deslocamento, acima de tudo.

Na faixa de abertura, “Delusional On Sunset Boulevard”, os vocais gélidos de Tervonen ecoam parte da alquimia distinta, porém bem-sucedida, que o clima quente da Califórnia possui em contraste com suas referências regionais: “I think I just got older / Growing cold and dumber too / No pat on my shoulder / I ride my horse through Hollywood”. E é a partir desse momento, com um farfalhar quase infinito de sintetizadores, guitarras e prensagens eletrônicas, que The Voices Are Coming Back ganha significado. Os temas que cercam essa descoberta por toda a Cidade dos Sonhos são brilhantes. Há momentos que sugerem reflexões profundas sobre a imagem, como em “Pillow Face”, ou a fantasia desenfreada, beirando a psicodelia mental, que expõe os devaneios de promessas e desejos que podem ser anulados, é o caso de “Mermaid”, faixa cujos vocais e a batida se tornam mais lúdicos, calmos por um lado, mas ferozes por outro – o tom se eleva, como se estivéssemos de fato sendo atraídos pelo canto de uma sereia, puxando-nos para debaixo d'água. É um dos pontos altos do álbum; é o ápice do que Pearly Drops conclui como uma jornada de completo "desvendamento emocional". A realização, mas também a permanência, de um sonho.

Compre: Bandcamp
Selo: Music Website
Formato: LP
Gênero: Pop / Eletrônica

Matheus José

Graduando em Letras, 24 anos. É editor sênior do Aquele Tuim, em que integra as curadorias de Funk, Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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