Crítica | “Mono” (feat. skaiwater)


O i-dle vinha em uma maré de azar há muito tempo. Entregando a péssima sequência de singles “Klaxon”, “Girlfriend” e “Good Thing”, o grupo parecia estar caminhando para o fim da qualidade – mesmo que mínima – restante, isso sem contar as regravações das canções antigas com cinco membros com o conceito fúnebre. E, então, como quem não quer nada, “Mono” é lançada.

A parceria com skaiwater, rapper não-binário, caiu como uma luva para este novo capítulo do grupo: uma faixa leve, sutil e gentil, com diversas frases sobre aceitação, sobre levar o amor de todas as formas adiante, e que não são exageradas nem feitas para te fazer engolir um conceito específico. Analisando o fato de o quinteto ser um dos atos femininos mais populares da atualidade, ter uma faixa como essa é importante, ainda mais quando elas cantam na TV aberta sul-coreana trechos como “Do leste ou do oeste, hétero ou gay / Todo dia e noite, dance ao som da sua própria música”.

O fato de incluir um artista preto, queer e estrangeiro no contexto mainstream do país é interessante e importante, e é a primeira vez que eu vejo essa ternura e sinceridade nos projetos do i-dle, já que em algumas faixas como “TOMBOY” o grupo parecia ser aquele “militante de telão”, falando frases sem sentido em batidas que seguem tendências apenas para que os fãs aplaudissem e falassem “isso daí!”, sendo extremamente voltadas ao consumo das grandes massas. “Mono” talvez seja a primeira militância sincera do i-dle e me deixa orgulhoso de ver como essa sensibilidade pode ser importante para o cenário musical do país, que a cada dia que passa, vemos que está evoluindo na diversidade, mesmo que em passos lentos.

Selo: Cube
Formato: Single
Gênero: Música do Leste e Sudeste Asiático / K-pop, Dance pop
João Vitor

20 anos, nascido no interior da Bahia e graduando em Ciências da Computação. Faz parte das curadorias de Música do Leste e Sudeste Asiático no site Aquele Tuim.

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