
★★
Dessa vez, é como se eles estivessem destinados a elevar esse poder destrutivo a um patamar jamais visto. Essa é uma intenção genuína, mas que se escora demais na pretensão, sobretudo ao se colocar numa posição autoral, inovadora, que se choca com a facilidade com que os termos se apresentam: é inovador por agrupar uma ruma de letras espalhafatosas ou instrumentação cacofônica do ponto de vista instrumental, ainda que bem calculada e organizada? É difícil saber exatamente, por isso momentos como “Dodecahedron” ganham destaque, pois não se justificam. A percussão é quase dub, os elementos orgânicos (tocados) se mesclam com o tratamento sintético e a estrutura que mistura da apreensão do ao vivo com o tom despojado do estúdio. É como se evocasse um design de som que ora nos aproxima, ora nos afasta do som.
A sequência, “A Brighter Tomorrow”, também acerta na atmosfera. É mais arrastada, lenta e conta com um foco dinâmico na temática corporal. Beira o sentido sensorial, tátil, e vai aos poucos escorrendo como magma, perfurando poros e criando rochedos desenhados pela naturalidade com que se espalha. O mesmo apontamento, sobre o tom livre da música, não pode ser dito sobre “Life Hex”. A faixa é inteiramente construída para causar algum tipo de sensação que nem sempre pode ser provocada com tamanha força de ruptura e desejo insaciável de lacrar.
É nesses instantes que URGH perde força. Não é como se o disco precisasse, o tempo todo, atingir um ápice, um pico de adrenalina. Os momentos lentos são essenciais por isso, pois dão pausa para respirar, recuperar o fôlego, enquanto a banda tenta provar que é barulhenta o suficiente para ser noise, mas estratégica o bastante para ocupar as barreiras da música industrial com aspirações no rock. A indecisão desse processo também faz com que soem mais marketeiros do que tudo, e há benefícios nisso, já que existe no trabalho deles a intensa vontade de criar atmosferas e ambientações abrasivas e hostis.
Selo: Sacred Bones
Formato: LP
Gênero: Experimental / Industrial