Crítica | i've seen a way



★★★★

Disco de estreia do quarteto Mandy, Indiana não esconde a intenção de ser uma mistura contrassensa do post-industrial.

Todos os anos há pelo menos três ou cinco estreias na cena experimental que, de forma contundente, acaba por dividir o público quanto a temas e abordagens musicais referentes aos realizadores dessas mesmas estreias.

Mandy, Indiana, um quarteto que emerge da cena de Manchester, é uma daquelas estreias a marcar 2023 com uma intensa divisibilidade da sua proposta. i've seen a way, sucessor do EP… de 2021, é exatamente o que se esperava do grupo: um álbum cheio de contradições.

Essa entonação de partibilidade torna-se ainda mais evidente à medida que o quarteto amplia o uso de elementos contrastantes. Do house ao ambiente, tudo parece se converter à intenção do projeto de soar desafinado e intenso. É expansivo e geralmente comunicativo.

O francês de Valentine Caulfield é uma prova da progressão e insanidade da obra em demonstrar suas referências. “Love Theme (4K VHS)”, por exemplo, parte de uma abertura cinematográfica para demarcar a ideia de imensidão e contraste revelada ao longo do disco. E funciona perfeitamente.

Selo: Fire Talk
Formato: LP
Gênero: Experimental / Pós-Industrial, Techno Industrial, EBM
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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