Crítica | Time Ain’t Accidental



★★★½

Jess Williamson mostra como dominar a retrama em um retrato delusional do amor.

Condensado por alguns acordes comumente presentes no country moderno, mas com uma mensagem além das relações superficiais, como Morgan Wallen mostrou recentemente em One Thing at a Time, uma vergonha do gênero nos Estados Unidos, Jess Williamson mostra como dominar a retrama.

Time Ain't Accidental é puramente sobre os sentimentos de Jess: ela canta, com um vocal poderoso, sobre sua dor. Seu empenho se dá pela forma como suas composições preenchem os espaços. O dedilhar de uma corda aguda ora acompanha seus vocais, ora os deixa livres para expandir a sensação de expulsar, ao máximo, o que lhe causava receios. É sobre liberdade, acima de tudo.

Ao abordar o clássico tema do pós-término, Time Ain't Accidental nunca anda em círculos — pelo contrário, vai além do que se espera da experiência de quem canta o que sofreu. Jess Williamson sabe que mais do que expor sua experiência, deveria servir de exemplo, mas isso só acontece por meio dele: o tempo, que segundo ela não é à toa.

Selo: Mexican Summer
Formato: LP
Gênero: Country / Folk
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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