Crítica | Sem Limites

★★★½

Como o novo álbum de DJ RaMeMes, Sem Limites, chega ao maximalismo através da abstração de cada um dos elementos conhecidos presentes no seu funk.

Algumas tendências do funk recente: a valorização de estética de cultura de samples e o retorno da estética miami bass dos anos 90, o abandono das harmonias e da formalidade musical, tentar reproduzir em estúdio a mesma energia que você sentiria nos bailes funk. Todas essas tendências são encontradas em Sem Limites, de DJ RaMeMes, e ainda sim, nenhuma delas explica individualmente o funk maximalista em sua nova obra.

Pra começar que, apesar da valorização do funk noventista estar presente, de maneira alguma eu diria que é estético, isso tudo é trazido por meio de samples, numa estética que é, inevitavelmente, contemporânea. Isso porque, falar categoricamente de samples nos anos 90, é falar sobre elementos que compunham uma harmonia específica, uma ressignificação unilateral daquela obra.

De forma alguma isso é um demérito, era extremamente avançado para a época, mas no presente momento, toda a ressignificação de samples imposta por DJ RaMeMes não mais é feita de maneira unilateral, é quase abstrata. Em alguns momentos, como "Embraza Com as Colega", eu já nem sabia mais dizer o que era referência e o que não era.

Alguns adlibs ao fundo, lembram muito os sons presentes no clipe gravado em casa de Bololo HaHa, do MC Bin Laden. Algo que eu jamais acusaria ser realmente a referência real, mas que é impossível de não se questionar diante de tantos estímulos.

Por isso, a quantidade de samples conhecidos, sejam de letras ou melodias, de músicas que na era da internet viraram memes, ou que qualquer jovem acharia minimamente reconhecível, é tão essencial aqui, porque não importa o que você já pense sobre este trecho anteriormente, pouco importa se a sensação desses samples importam com a música em si.

Por fim, é a junção de todas essas (in)formalidades que causam a sensação do maximalismo, aqui a sensação é de mergulhar num baile, em que todas essas referências estão juntas, cada parte da música como um corpo diferente, todos dançando, cada um no seu ritmo, alguns fora do contexto poderiam causar risadas, desconforto, mas aqui… não importa, a dissonância é um deleite pra poucos.

Selo: QTV
Formato: LP
Gênero: Funk / Música Eletrônica.
Tiago Araujo

Graduando em História. Gosto de música, cinema, filosofia e tudo que está no meio. Sou editor da Aquele Tuim e faço parte das curadorias Experimental, Eletrônica, Funk e Jazz.

Postagem Anterior Próxima Postagem