Crítica | AFRODHIT


★★★½

AFRODHIT lapida as visões artísticas de IZA como ela nunca havia feito antes. Definitivamente, o recomeço é o seu melhor amigo.

Durante os últimos cinco anos, IZA se concentrou em projetos diversos. Entre eles, estavam seus contratos publicitários, a bancada de jurados do The Voice e, de vez em quando, singles e parcerias musicais. Nesse período, algumas das maiores joias de sua carreira foram lançadas, como “Meu Talismã”, “Bend The Knee” e “Sem Filtro”. Porém, o segundo álbum não chegava, e isso deixava o público cada vez mais ansioso (e insatisfeito com a demora).

No entanto, AFRODHIT chega no melhor momento possível e justifica essa lacuna temporal. Como personagem, a cantora encara a deusa Afrodite e cria a Mulher de Pedra, uma deidade intraterrestre explorada no videoclipe de “Fé nas Maluca”. É um trabalho sobre recomeço e liberdade em um amadurecimento artístico notável. Os destaques se valem por registros vocais graves, composições líricas mais sinceras e um intercâmbio arrojado da música pop com R&B, samba, funk e até afrobeats.

O álbum parte do fio da dor: o término do casamento da cantora com Sérgio Santos, que também era o seu produtor musical. Das faixas iniciais, “Que Se Vá” é a mais detalhista e direta sobre o assunto, com versos que explicitam os abusos dessa relação no âmbito amoroso e trabalhista.

Mas o novo sempre vem: o meio é marcado por músicas contagiantes e ricas em instrumentos percussivos. “Terê” é o grande destaque da obra. Com sample de “Tereza Guerreira”, samba de Antonio Carlos & Jocafi, IZA conta a história envolvente de sua tia Tereza, uma mulher que, nas palavras da cantora, é “cheirosa e imprevisível”. A sequência final é marcada com o eu-lírico reaprendendo a ter prazer e a amar. “Uma Vida é Pouco Pra Te Amar” encerra com chave de ouro, uma canção intensa e apaixonada, que se encaixaria perfeitamente como carro-chefe da trilha sonora de uma grande novela das nove.

Totalmente construído num período de cinco meses, a artista finalmente consegue explorar suas facetas que antes eram podadas e reprimidas em estúdio. Totalmente confiante, aqui vemos com precisão um ótimo álbum de música pop. Definitivamente, o recomeço foi o melhor amigo de IZA.

Selo: Warner
Formato: LP
Gênero: Pop
Felipe

Graduando em Sistemas e Mídias Digitais, com ênfase em Audiovisual, e Estagiário de Imagem na Pinacoteca do Ceará. É editor do Aquele Tuim, contribuindo com a curadoria de Música do Continente Africano.

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