Crítica | Rock Pesado 2



★★★★

Apesar de estar longe de um consenso quanto à sua personalidade, DJ Arana continua sendo uma das melhores revelações do funk paulista nos últimos anos.

Apesar de estar longe de um consenso quanto à sua personalidade, DJ Arana continua sendo uma das melhores revelações do funk paulista nos últimos anos. Seu álbum, Rock Pesado 2, um épico de quase uma hora de duração, apresenta parte de seu repertório mais inteligente e simbólico até o momento. São músicas que condensam o melhor do funk das extremidades de São Paulo; desde batidas acentuadas por distorções do chamado beat bruxaria ao lirismo que utiliza as rimas quase tradicionais do gênero.

Em Rock Pesado 2, porém, há um conceito superior a quase tudo o que já foi feito por outros DJs populares da cena paulista, o que coloca Arana em posição de destaque. E quando falo em conceituação, estou me referindo aos inúmeros bons maneirismos utilizados por ele ao longo da obra, como, por exemplo, o canto árabe em "Jatada Arabe" e o violino clássico estilo agudo em "Mensagem Favorita" que, nas mãos de Arana, soam tão novos quanto preditos.

O mesmo efeito ocorre com “Amenó”, que traz um trecho da música popularmente conhecida em todo o mundo, mas que em Rock Pesado 2 nada mais é do que um suporte para o fio narrativo — e musical — da mutação sonora que só o funk é capaz de fazer sem soar, nos pormenores da reutilização, uma paródia simples e sem vida.

E Rock Pesado 2 está cheio de vida. Embora DJ Arana tenha iniciado sua carreira produzindo músicas no celular, com a adição de novos recursos decorrentes de seu breve sucesso, há um esforço maior em utilizar elementos comuns do funk para criar algo de sua autoria. Nesse sentido, ele atua de forma ainda mais importante, como no sucesso de “Puta Mexicana”, que viralizou no TikTok com a “rabiscada do DJ Arana”, uma de suas muitas coreografias replicadas em massa nos bailes. Ele é o momento.

Selo: Portuga Records, Funk 24por48
Formato: LP
Gênero: Funk / Experimental
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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