Crítica | softscars



★★★½

Yeule é interessante, embora nem sempre o resultado de suas ambições seja um consenso.

É claro que os arranhões e os gritos nauseantes seriam as partes principais de softscars. Mais óbvio que isso, quando se trata da intenção de reconstruir um shoegaze dos anos 90 cheio de camadas próprias, apenas a funcionalidade de soar transgressor e etéreo no campo do dream pop.

Mas, pasmem: nem tudo precisa ser intrinsecamente disruptivo para atingir um objetivo de referência. É por isso que as paródias são, na maioria das vezes, mais interessantes do que uma homenagem direta em si. É por isso, também, que softscars só acerta ao continuar com uma narrativa posterior ao êxito de Glitch Princess.

Yeule erra ao seguir uma literariedade expositiva. Pulando de galho em galho, sua arte pode impressionar, mas seu rumo quase incerto abre uma dezena de novas possibilidades que automaticamente nos fazem questionar: que novidades iremos nos deparar em seu próximo projeto?

Esta pergunta é interessante e mostra como Yeule também é interessante, embora nem sempre o resultado de suas ambições seja um consenso. softscars faz um trabalho de pesquisa assertivo, mas não consegue aplicar um método distante do já enjoativo e cansativo campo exploratório em que Yeule se inseriu na criação da obra.

Selo: Ninja Tune
Formato: LP
Gênero: Rock / Dream pop, Shoegaze
Matheus José

Graduando em Letras, 23 anos. No Aquele Tuim, faço parte das curadorias de Jazz, Música Independente, Eletrônica e Experimental.

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