Crítica | Goodnight Summerland


★★★★

Sensível, o segundo álbum de Helena Deland é um exercício terapêutico que visa o resgate de memórias.

Goodnight Summerland foi gravado na sequência do falecimento da mãe de Deland. O luto, aqui visto como intermédio do antes e do agora, é o fio condutor de uma jornada que envolve o resgate de memórias como meio de superação e cura. Entre arrependimentos e possibilidades de preencher as rachaduras deixadas por eles, Helena encontra conforto e sentido para suas escolhas — ou falta delas.

Summerland é a cidade natal da cantora canadense, da qual ela diz não ter nenhuma lembrança. Mas tanto a ambientação bucólica e sazonal dos instrumentais, quanto a descritividade lírica das canções, constroem a imagem de um local familiar.

Fica claro, portanto, que o vínculo de Helena com Summerland ultrapassa os limites da recordação. É, talvez, mais intrínseco do que a própria possa imaginar, e o desenrolar desse entendimento ao longo do disco, acompanhado da poesia das composições, ressoa imensamente com qualquer ouvinte.

Nas entrelinhas do folk e da música indie, Helena Deland ainda está encontrando sua marca. Seu estilo naturalista é remanescente da acústica pastoral de Adrianne Lenker, e alguns toques minimalistas parecem seguir os passos de Ichiko Aoba, mas, para além de possíveis inspirações, Goodnight Summerland se destaca pela intimidade — é um registro que encontra virtude na clareza e ainda deixa espaço para a reflexão.

Selo: Chivi Chivi
Formato: LP
Gênero: Indie Folk

Marcelo Henrique

Marcelo Henrique, 21 anos, estudante e redator no site SoundX e no Aquele Tuim, em que faço parte das curadorias de Pop, R&B e Soul.

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